Brasília - Quase dois meses depois de protagonizar tenso confronto com Roberto Jefferson (PTB-RJ) na Câmara, o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) volta a prestar um depoimento, hoje à tarde, desta vez na condição de investigado, ao Conselho de Ética. O deputado enfrenta processo de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. Dirceu será ouvido pelos integrantes do Conselho de Ética em razão de um processo de cassação em curso, protocolado pela direção do PTB. Na semana passada, o partido tentou a retirada do processo, mas o pedido foi arquivado pelo conselho.
Uma vez aberto o processo de cassação, o deputado acusado não pode mais renunciar ao mandato e, caso seja condenado, ficará inelegível até 2015. Hoje, o ex-ministro deverá repetir sua defesa feita na semana passada à comissão de sindicância instalada na Corregedoria da Câmara, citando alguns fatos que ocorreram após o embate com Jefferson. Segundo o que Dirceu disse à corregedoria, um dos motivos para a cassação do petebista foi a não-caracterização do chamado ''mensalão'' nos moldes em que Jefferson havia denunciado. Outro fator que será explorado pelo ex-ministro é o pedido do PTB de retirada do processo contra ele. Dirceu e seus advogados de defesa também se apóiam em uma questão técnica: a de que ele não era deputado, mas ministro, portanto não haveria quebra de decoro parlamentar.
Na semana passada, Dirceu pediu ''que seja feita justiça'' ao apresentar sua defesa - a portas fechadas - aos deputados da corregedoria e afirmou não haver provas que o vinculem ao ''mensalão''. O conselho já ouviu cinco testemunhas arroladas por Dirceu, os ex-ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia), o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o ex-presidente do PT José Genoino. Na semana passada, o conselho ouviu a presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo.

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