Brasília - O ministro José Dirceu (Casa Civil) defendeu ontem a criação de 2.797 cargos de confiança no governo, além do aumento da remuneração de algumas funções, alegando necessidade de reestruturação da administração pública, que teria passado por ''dez anos de sucateamento''. Esses cargos de confiança e funções gratificadas foram criados por meio de medida provisória, divulgada na última sexta-feira, durante a reforma ministerial. A iniciativa desfaz o primeiro ato da gestão Luiz Inácio Lula da Silva, um decreto que cortava em 10% os gastos com esses cargos.
A MP elevou ainda a remuneração de quem tem DAS (Direção e Assessoramento Superiores) 4, 5 e 6 e é servidor de carreira. Esse grupo vai receber o salário mais 65% do valor do DAS, em vez do limite de 40%. O maior DAS é de R$ 7.500, mas só recebe o valor integral quem não é servidor. ''Estamos criando cargos nas agências reguladoras, nos ministérios do Meio Ambiente, Cultura, Minas e Energia. O país e a administração pública estão se reorganizando. Foram dez anos de sucateamento. Como o governo pode atender a essa série de funções?'', disse o ministro.
O custo da criação de 1.332 cargos em comissão e de outras 1.465 funções gratificadas pode chegar a R$ 58,3 milhões. Como o preenchimento dos postos ocorrerá ao longo do ano, a Casa Civil estima que a despesa extra em 2004 deverá ficar em R$ 38,5 milhões. ''Isso (preenchimento) não vai ser de uma vez, é um processo, senão passa de R$ 40 milhões'', afirmou Dirceu, segundo o qual o critério para as nomeações será técnico.

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