Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu-se ontem das acusações de nepotismo. Em levantamento realizado pela ''Folha de S.Paulo'', o ministro é apontado como um dos integrantes do alto escalão que tem parentes com cargos públicos em Brasília. ''Minha esposa é funcionária pública há 27 anos e está trabalhando na Enap (Escola Nacional de Administração Pública)'', disse o ministro. De acordo com a reportagem, sua mulher, Maria Rita Garcia de Andrade, foi nomeada assessora da presidência da Enap e é concursada na Fundação Faria Lima, de São Paulo, desde 1976.
Segundo Dirceu, a legislação federal permite e o Conselho de Ética Pública já autorizou a situação envolvendo sua mulher. ''Não tem nada a ver com nepotismo'', declarou Dirceu. O ministro criticou declarações de congressistas que fizeram referência às mulheres dos ministros Ricardo Berzoini (Trabalho) e Antonio Palocci (Fazenda), além de Maria Rita como uma situação de nepotismo.
Para Dirceu, a prática da crítica ''degrada o ambiente político e a convivência política do país''. ''Trata-se de uma afirmação mentirosa, caluniosa da parte de parlamentares que a fizeram'', disse o ministro, acrescentando que repele as críticas. Ele esclareceu ainda que sua mulher tem o direito legal de trabalhar em Brasília porque ele, como ministro, está vivendo na capital federal.
Dirceu considerou importante para o país a aprovação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da proposta de emenda constitucional que proíbe o nepotismo. O ministro disse que sempre defendeu o combate ao nepotismo e que inclusive participou da elaboração do projeto.

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