Dirceu chama Lula de personagem difícil
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sexta-feira, 09 de dezembro de 2005
Folhapress 
Brasília - José Dirceu, ex-deputado federal (PT-SP) e ex-ministro da Casa Civil, disse em entrevista à revista Fórum que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é um personagem difícil. Ao falar de efeitos da crise política, disse que não sobrou nada no governo. E citou ele e outros petistas que se enfraqueceram ou foram acusados na atual crise: Luiz Gushiken [ex-ministro], Gilberto Carvalho [chefe-de-gabinete], Antonio Palocci [Filho, ministro da Fazenda José Dirceu.
Indagado se algum problema pessoal com Lula tivera influência em seu afastamento da articulação política do governo em janeiro de 2004, Dirceu respondeu: Uma mistura de coisas. O personagem é difícil. Está ficando claro isso, respondeu o ex-homem-forte do governo Lula. Petistas procurados ontem no Congresso evitaram comentar a entrevista de Dirceu. O Palácio do Planalto não se manifestou.
À Fórum, Dirceu disse ainda ter alertado Lula em 2004 do risco de ficar em minoria no Senado e na Câmara. Falei para o presidente, três vezes no primeiro e no segundo semestre de 2004. Pedi a conversa com ele com o testemunho do Gilberto Carvalho. Se o senhor quiser continuar com minoria no Senado e na Câmara, vão fazer uma CPI, qualquer CPI com o objetivo de desestabilizar o governo, desmoralizar, e o tema geralmente é corrupção.
Dirceu disse que deveria ter deixado o governo quando Lula decidiu bancar a política econômica de Palocci no final de 2004. Contou que a idéia era um período de transição, mas Lula insistiu. Agora, diz ele, o Palocci quer um segundo ajuste. Está pedindo abertura comercial, CPMF fixa, ainda que com alíquota decaindo, 5% de superávit [primário], despesa corrente fixa, BC independente... A minha avaliação é que isso é inviável para um governo forte, um governo com maioria, ainda mais com um governo que está enfrentando um processo de desestabilização. A oposição saiu dos marcos democráticos.
Dirceu bateu duro na oposição, disse que PFL e PSDB levaram recursos partidários e eleitorais fazendo grandes negócios, privatização. Afirmou que o PSDB é uma costela do PMDB e do PFL, não adianta eles quererem renegar. De acordo com ele, o PSDB é composto por uma parcela inclusive do quercismo, grande parte de pessoas que participaram dos governos Quércia e Fleury são destaque no PSDB.
Afirmou ainda que a oposição achou que Lula não ia ter capacidade de ser presidente da República e errou. Por isso, disse que tucanos e pefelistas passaram a querer desestabilizar o governo. Na entrevista, declarou que deixou a articulação política por que se deu conta de que presidente queria que [ele] saísse. Se tivesse tido uma CPI no governo FHC, talvez ela tivesse se transformado em um processo de impeachment, e ele disse isso em vários jornais e revistas da época, disse.
Ao comentar a campanha de TV e rádio do referendo sobre desarmamento, disse: Todo mundo que apoiava o sim na hora do enfrentamento político-ideológico se escondeu. Aliás, isso está virando uma norma no Brasil, se esconder na hora do enfrentamento, precisamos criar um biotônico Fontoura ideológico no Brasil.


