Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, garantiu ontem, durante a instalação da Câmara de Política de Desenvolvimento Econômico, que o novo fórum de coordenação dos programas de governo não se pautará por disputas nem por concorrências internas. ''Sou mais um facilitador do que um coordenador'', afirmou Dirceu, que presidirá a Câmara de Desenvolvimento. Um dia depois da derrota da equipe econômica obrigada a desistir da proposta de elevar a contribuição previdenciária das empresas para pagar a correção devida a aposentados , Dirceu insistiu em que sua nova tarefa não se sobrepõe às funções da Câmara de Política Econômica, comandada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a reunião com os ministros afirmando que a câmara capitaneada por Dirceu não prejudicará o trabalho das outras. Lula quer neutralizar comentários de que, com a reabilitação pública do chefe da Casa Civil, teria incentivado a disputa já abafada entre Dirceu e Palocci, institucionalizando de uma vez por todas a divisão entre desenvolvimentistas e monetaristas no governo.
Em sua exposição, Palocci exibiu uma lista de indicadores econômicos favoráveis. Argumentou que todo o esforço feito até agora foi justamente para permitir o desenvolvimento, com geração de emprego e renda, e não o contrário. Na platéia, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, concordou com o ministro. ''Hoje nós podemos apresentar um país com as contas saneadas e o ajuste macroeconômico realizado'', comemorou Palocci.
Em conversas reservadas, porém, dirigentes petistas têm dito a Palocci que sua equipe precisa mostrar mais sensibilidade política. ''Não podemos criar um ambiente em que pareçamos fiscalistas insaciáveis'', afirmou um ministro do PT.
Na abertura da reunião, Lula reiterou que o governo tem trabalhado com persistência por um longo período de crescimento, ancorado no ajuste fiscal, na inflação sob controle e nas contas externas favoráveis. ''Não é uma bolha'', resumiu o porta-voz André Singer. Interlocutores do presidente asseguram que a Câmara de Política de Desenvolvimento, com 14 ministros, vai cuidar única e exclusivamente de programas que têm por objetivo dar sustentação ao crescimento. Mesmo sem esforço, Dirceu e seu time poderão criar um contraponto à chamada ortodoxia fiscal, apresentando alternativas. Foi o que ocorreu nos últimos dias: publicamente, o chefe da Casa Civil defendeu o aumento da contribuição previdenciária das empresas para financiar o pagamento de aposentadorias e pensões devidas desde de 1994. Mas seus principais aliados, como os presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e o do PT, José Genoino, foram implacáveis nas críticas à elevação da carga tributária. Conclusão: o governo foi obrigado a ceder às pressões e recuar.
Agora, além da infinidade de grupos de trabalho interministeriais existentes no governo foram criados aproximadamente 60 desde o início do mandato de Lula, em 2003 , Dirceu também vai comandar grupos técnicos que deverão se debruçar sobre ações para a retomada do desenvolvimento. Foi, enfim, reabilitado como capitão do time, ou, em outras palavras, ''gerentão'' do governo.

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