O presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), anunciou ontem a criação do movimento em defesa do Brasil e o rompimento formal do diálogo com o governo. A mobilização defendida por Dirceu pretende construir uma alternativa ao modelo econômico do País. Em discurso de 30 minutos no plenário da Câmara, Dirceu defendeu a unidade da esquerda no Brasil. ‘‘Existem saídas constitucionais e temos respostas para os problemas do país’’, disse o petista.
Dirceu afirmou que o presidente Fernando Henrique Cardoso cometeu um ‘‘atentado contra a federação’’ e que o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) representa ‘‘crime de alta traição ao país’’. ‘‘Há motivos para processo no STF (Supremo Tribunal Federal) por crime de responsabilidade do presidente e dos ministros de Estado’’, disse Dirceu. O presidente do PT negou, no entanto, que o partido vá recorrer ao Supremo ou que vá propor o impeachment de FHC.
Durante o discurso, nenhum parlamentar governista defendeu FHC. O líder do governo no Congresso, José Carlos Hauly (PSDB-PR), entrou no plenário, viu Dirceu discursando, mas saiu sem fazer apartes ao parlamentar. Ao criticar o modelo econômico, o petista afirmou que o governo fracassou nesses quatro anos e chamou a venda das empresas estatais de ‘‘privataria’’, misturando as palavras privatização e pirataria. Dirceu criticou a atitude do governo federal de resgatar recursos do caixa de Alagoas em consequência da suspensão do pagamento de parcela da dívida estadual.

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