Dirceu anuncia atos contra FHC
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sábado, 06 de março de 1999
Giovani Ferreira 
A partir do dia 20, o Partido dos Trabalhadores (PT), em conjunto com diversos segmentos da sociedade organizada, estará promovendo manifestações populares em todo o País, como forma de pressionar o governo federal, defendendo uma discussão mais ampla sobre as alternativas para superar a crise econômica que tomou conta do Brasil com a desvalorização do Real. A informação é do presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu, que participou ontem em Ponta Grossa de uma reunião do diretório estadual do partido.
A primeira grande concentração, que acontece no dia 20, será em Porto Alegre (RS). No dia 26, as manifestações devem ser realizadas em todo País. Com esses protestos o PT espera um crescimento da rede oposicionista ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Nosso objetivo é mobilizar a sociedade para pressionar o governo, disse José Dirceu.
Essas manifestações foram discutidas durante a criação do Fórum Nacional de Lutas, lançado na sexta-feira em São Paulo. O fórum tem uma plataforma de reivindicações e mudanças para a política econômica, que inclui o rompimento do acordo com o FMI e incentivos à economia brasileira.
Na opinião do presidente do PT, se o governo federal não abrir canais de negociação, tornando-se mais flexível a sugestões e alternativas de todos os segmentos da economia nacional, esse atual modelo econômico pode levar o País a um desastre. Segundo Dirceu, o País corre um grande risco de decretar moratória.
José Dirceu explicou que o PT não está pedindo a renúncia de Fernando Henrique, mas sim uma mudança na maneira de conduzir a economia no Brasil. Nós não queremos tirar o Fernando Henrique para por um outro. Nós queremos mudar o governo e a política do modelo econômico, explicou o presidente do PT.
Na avaliação de José Dirceu, esse é o momento nas mobilizações nas ruas, uma vez que há uma indignação muito grande da sociedade. De acordo com o líder petista, o governo precisa deixar de ser autoritário para ouvir a opinião pública. Hoje, segundo José Dirceu, não são somente os trabalhadores que estão contra o governo, mas também existem diversos outros setores da sociedade organizada descontentes com o comportamento do presidente, incluindo empresários, sindicatos e organizações que reúnem profissionais de várias áreas.
Na hipótese das mobilizações surtirem o efeito desejado e o governo abrir espaço para propostas alternativas, o PT pretende levar ao presidente sugestões para controlar a inflação, renegociar as dívidas, proteger o capital e fortalecer o mercado interno. Segundo Dirceu, os problemas com o câmbio foram a melhor coisa que aconteceu ao País, a partir do momento que dá uma oportunidade para se fortalecer a política econômica.
Os manifestos populares serão organizados por regionais do Fórum Nacional de Lutas, integrado pela CUT, sindicatos, clubes e inclusive a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que participa em alguns Estados.


