Brasília - O deputado cassado José Dirceu disse ontem que não voltará a exercer o mesmo poder que teve quando estava à frente da Casa Civil. ''Acho que já cumpri o meu papel na política brasileira. Não acredito que volte a cumprir este papel. Sou ex-deputado, ex-ministro e ex-presidente do PT. Sou apenas José Dirceu'', disse. Um dos principais responsáveis pela campanha vitoriosa do presidente Lula, considerado o ''superministro'' da gestão petista, Dirceu perdeu prestígio à medida em as denúncias de corrupção envolvendo governistas aprofundaram-se.

Em 30 meses de governo, Dirceu acumulou funções, o que rendeu apelidos como ''todo-poderoso'' e ''capitão do time''. Cinco meses depois de deixar o ministério, perdeu o mandato e os direitos políticos por oito anos a contar do término desta legislatura, que se encerra no próximo ano. Apesar de se dizer vítima de um processo de cassação política e de não haver provas que consubstanciem a perda de mandato, Dirceu afirmou que seus advogados estudam se houve ilegalidades no processo de casacão, mas afirmou que não pretende recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para reverter a decisão da Câmara.

''Não tenho ânimo para ir ao Supremo. Agora eu preciso trabalhar para me sustentar porque não tenho mais o salário de deputado [cerca de R$ 12,8 mil]. ''O povo [a Câmara] paga mal, mas paga em dia'', acrescentou. O que vou fazer agora é voltar a trabalhar na vida política como eu puder. Vou defender os meus sonhos com muita paixão e muita fé, porque não tenho mais nada'', acrescentou.

A indicação de que desistiu de recorrer à Justiça para garantir seus direito políticos reflete o impacto da cassação e vai de encontro à luta que travou nos últimos meses para manter seu mandato, chegando a recorrer cinco vezes ao Supremo. ''[A cassação] é uma violência, como se eu tivesse perdido a minha própria vida'', declarou o ex-deputado.

Dirceu afirmou que, se chamado, trabalhará na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição em 2006. ''Ele [Lula] terá o meu apoio integral'', disse. Porém, o ex-deputado e ex-ministro descartou a possibilidade de voltar a ocupar um cargo executivo, o que lhe é permitido mesmo tendo os direitos políticos cassados. ''Não tenha a intenção de voltar a participar de qualquer governo'', disse.

Dirceu disse que continuará no PT e na vida política, mas não vai debater questões internas por não ser dirigente da legenda. Depois da cassação, Dirceu afirmou que passará de 60 a 90 dias nos Estados Unidos e que cuidará de dois projetos: abrir um escritório de advocacia em São Paulo e escrever um livro sobre seus 30 meses na Casa Civil.

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