Felipe Werneck
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente nacional do PT, José Dirceu, sugeriu a intervenção da direção nacional no diretório fluminense para acabar com a crise entre o partido e o governador Anthony Garotinho (PDT). Dirceu esteve no Rio ontem para tentar resolver o problema e manifestou-se contrário à decisão do presidente do PT do Rio, deputado Carlos Santana, de que os petistas devem deixar seus cargos na administração pedetista.
A crise preocupa também o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele acha que o conflito ameaça a aliança com o PDT no Rio e que isso pode dar munição para os adversários que, mais tarde, podem dizer que o PT não consegue conviver com aliados. Lula acha ainda que a crise prejudica a candidatura da vice-governadora petista, Benedita da Silva, à prefeitura.
Ao desembarcar, Dirceu afirmou que a decisão do diretório regional, de entregar os cargos do partido no governo, é ‘‘soberana’’, mas ressalvou que o assunto vai ser tratado ainda pela direção nacional. ‘‘Quero ouvir do Carlos Santana qual a posição que ele vai expor ao partido no domingo’’, informou. ‘‘Ele já mudou três vezes de opinião’’, criticou.
‘‘O PT do Rio é soberano para tomar a decisão, mas depois, teremos o diretório nacional, no sábado e domingo da semana que vem, e o congresso do PT no fim de novembro’’, lembrou o líder petista, ainda antes da reunião, que começou no início da tarde de ontem. ‘‘Aí, o partido, em nível nacional, vai avaliar a questão’’.
O presidente nacional da legenda afirmou que, por enquanto, a única posição do partido sobre a crise do Rio é ficar contrária à saída do governo de Garotinho. ‘‘O PT não é um partido de cargos’’, afirmou Dirceu. ‘‘Sai do governo, sim, mas quando tem uma razão programática ou ética’’, esclareceu. ‘‘Não é um incidente, uma expressão infeliz e grave do governador (que chamou a legenda de ‘‘partido da boquinha’’) que vai causar isso’’, avisou.
Dirceu lembrou que a convenção do PT fluminense aprovou tese favorável à manutenção do apoio do governo Garotinho, mas por causa da eleição do presidente estadual petista, foi apoiada a entrega dos cargos. ‘‘Está se criando uma crise que é ruim para o PT do Rio, para imagem do PT nacional e bom para o governo Fernando Henrique e para a direita’’, queixou-se o líder petista.
‘‘O assunto no Brasil, hoje, não é mais a crise social, não é mais o desemprego, é a crise no governo Garotinho e no PT do Rio’’, lembrou. A oposição pode ter uma grande vitória em 2000, mas é preciso unidade, porque não temos divergência programática com o governo do Rio’’, afirmou, referindo-se às eleições municipais do ano que vem.
O presidente do PT fluminense afirmou, antes da reunião com Dirceu, que a legenda não vai suportar uma nova intervenção. Para Santana, o presidente de honra do partido, Luís Inácio Lula da Silva, foi ‘‘precipitado’’ ao afirmar que a crise entre os petistas e Garotinho teria como principal objetivo o enfraquecimento da vice-governadora à prefeitura.

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