Brasília - Quarenta e sete dias depois de anunciar a saída do governo devido ao envolvimento do seu nome no escândalo do ''mensalão'', o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) negou ontem ser o ''chefe da quadrilha'', admitiu que setores da direção do PT cometeram erros na campanha de 2004, mas disse que não assumirá responsabilidades por eles. Em vários momentos do depoimento, afirmou que não renunciará ao mandato de deputado nem aceitará ser ''banido da vida política do país de novo''.
''Prefiro ficar sem os direitos políticos se for o caso, ainda que eu considere uma cassação política, (...) do que renunciar para ter uma falsa sobrevida política. Não vou renunciar, vou travar mais essa luta na minha vida, talvez a mais importante da minha vida'', afirmou Dirceu. Se cassado, o ex-ministro ficará inelegível até 2015. Se renunciasse, poderia se candidatar novamente no ano que vem.
Como era esperado, Dirceu trocou acusações com o presidente licenciado do PTB e autor das denúncias sobre o ''mensalão'', Roberto Jefferson, que cumpriu sua promessa e ocupou uma cadeira na primeira fila da sala do Conselho de Ética da Câmara, local do depoimento do ex-ministro.
O conselho analisa processo movido pelo PL contra Jefferson por suposta quebra de decoro parlamentar. Jefferson apresentou ontem o pedido de cassação de Dirceu e do deputado Sandro Mabel (GO), líder da bancada do PL. O depoimento de Dirceu não havia acabado até o fechamento desta edição.
A sessão de ontem teve início às 15h12 e lotou a sala reservada ao depoimento.

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