Dirceu acusa Serraglio de quebra de decoro
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quarta-feira, 31 de agosto de 2005
Ranier Bragon<br>Folhapress 
Brasília - Ameaçado de figurar como o ''chefe do esquema'' na lista de cassáveis que as CPIs dos Correios e do Mensalão definem hoje, o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) acusou o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), de ''quebrar o decoro parlamentar''. Dirceu também conseguiu do relator da CPI do Mensalão, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), apoio à sua tese de que não pode ser cassado por atos que teria cometido quando chefiava a Casa Civil da Presidência - ou seja, fora do exercício do mandato de deputado.
Serraglio havia dado a entender que da lista de 18 parlamentar suspeitos de envolvimento no ''mensalão'' poderia listar Dirceu como suposto responsável pelo esquema. ''Ele está quebrando o decoro e excedendo as prerrogativas dele. Como ele pode me chamar de chefe de corrupção, que eu nomeava? Aonde está provado que há corrupção, se a CPI não terminou os relatórios ainda, se o Ministério Público não apresentou denúncia e a Justiça não decidiu. Evidentemente que isso é um atropelo, isso é um processo sumário, sem direito de defesa, sem o processo legal, sem o contraditório'', afirmou.
Dirceu foi logo pela manhã conversar com Abi-Ackel porque o relator da CPI do Mensalão partilharia de sua tese de que a acusação por quebra do decoro parlamentar é inválida para supostos atos cometidos fora do mandato. ''Eu, como advogado, não como relator nem como deputado, acho que é uma tese séria, ela tem argumentos consideráveis'', confirmou Abi-Ackel, que é ex-ministro da Justiça e tem doutorado em Direito Público. O temor de Dirceu é que uma acusação partindo das CPIs torne praticamente impossível a salvação de seu mandato. Ele já sofre processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara, motivado por uma representação do PTB.


