Nova DélhiO risco de um conflito entre Índia e Paquistão continuava grande ontem, depois da tentativa frustada de negociação em Almaty (Cazaquistão). Apesar disso, a diplomacia internacional ainda tem uma margem de manobra para evitar o pior. Conta pelo menos com a presença de uma autoridade norte-americana do alto escalão na região.
‘‘Ainda há uma margem’’, avaliou um diplomata ocidental em Nova Délhi, um dia depois dos urgentes chamados da Grã-Bretanha e Estados Unidos para que seus cidadãos abandonem rapidamente a região devido às persistentes tensões.
Diplomatas e analistas destacavam com interesse a abertura de um debate entre Índia e Paquistão sobre a ‘‘verificação’’ do fim das invasões de combatentes islamitas na Caxemira, questão essencial na crise atual.
Apesar disso, ainda está muito longe o começo de um diálogo entre a Índia e o Paquistão e de um esboço do ajuste do problema da Caxemira que perturba as relações entre Nova Délhi e Islamabad há mais de meio século.
‘‘Hoje a pressão internacional está toda sobre o Paquistão que deve limpar seu território. Os terroristas estão lᒒ, disse um diplomata ocidental em Nova Délhi, quando Richard Armitage, subsecretário de Estado norte-americano, estava para chegar em Islamabad.
O mesmo diplomata ressaltou que o ‘‘jogo político indiano mudou’’. A Índia está marcando pontos e tenta levar sua vantagem ao máximo para encurralar Islamabad, sem recorrer à força, mas sem tampouco propor soluções ao problema da Caxemira.
Outro diplomata destacava uma ‘‘vontade de pacificação’’ das duas partes depois das mudanças que marcaram a reunião de cúpula de Almaty, onde o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajapayee, e o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, acabaram não tendo nenhum encontro pessoalmente.
Na quarta-feira, um debate político começou entre os dois governos sobre a questão-chave do fim dos conflitos ou pelo menos de uma redução considerável das invasões da parte indiana da Caxemira.
A Índia, que rejeita qualquer interferência internacional no problema da Caxemira, propôs a criação de ‘‘patrulhas conjuntas’’ da Índia e do Paquistão para ‘‘verificar’’ a aplicação do compromisso de Islamabad sobre o fim das invasões.
O Paquistão ‘‘não rejeitou totalmente’’ esta idéia, que não é ‘‘nova’’, mas exige que seja proposta ‘‘formalmente’’ em uma mesa de negociações. De fato, desde que começou a crise, Islamabad não parou de pedir a presença de observadores independentes na linha de demarcação entre as partes indiana e paquistanesas da Caxemira, uma região do Himalaia cuja população é, em sua maioria, muçulmana, e que a Índia e Paquistão disputam desde 1947.

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