Washington – O Departamento de Estado norte-americano autorizou ontem a partida voluntária da Índia de todos os seus funcionários diplomáticos não-essenciais, assinalando que não pode descartar a possibilidade de agravamento da crise deste país com o Paquistão. O anúncio autoriza os diplomatas da embaixada norte-americana em Nova Délhi e dos consulados no restante do país a deixar a Índia junto com seus parentes. Este é um nível de alerta inferior à ‘‘ordem de partida’’ lançada para o Paquistão em março passado, que não dá aos diplomatas outra alternativa que não seja deixar o país.
Sexta-feira passada, os EUA aconselharam a todos os seus cidadãos a não viajarem à Índia e ao Paquistão ou consideraram a volta de quem já está lá, por medo de que se intensifique o conflito entre as duas nações possuidoras de armas nucleares.
Esta semana a advertência foi mais explícita, já que o departamento de Estado ‘‘pediu aos norte-americanos que estão na Índia para deixar aquele país’’.
‘‘As tensões chegaram a níveis sérios e o risco de que se intensifiquem as hostilidades militares entre Índia e Paquistão não pode ser excluído’’, assinala a advertência.
Britânicos tambémLondres pediu ontem que os britânicos que estão na Índia deixem o país devido ‘‘ao aumento do risco de conflito’’ com o Paquistão. O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, que acaba de voltar de uma viagem à região, disse que os familiares dos diplomatas britânicos e os funcionários não essenciais também podem voltar para a Grã-Bretanha.
PrevisãoEntre nove e doze milhões de pessoas poderiam morrer em caso de guerra nuclear entre Índia e Paquistão, informou ontem um responsável do Pentágono.
Esta estimativa não leva em conta as mortes por causa de doenças, fome e contaminação da água, e inclui somente as vítimas imediadas de um conflito nuclear, precisou um responsável que não quis se identificar.
No caso de uma guerra nuclear, ‘‘o número de mortos será de entre nove e doze milhões e o de feridos entre dois e seis milhões’’ a curto prazo. A estimativa está baseada no número de armas nucleares que os dois países têm e nos possíveis alvos. Segundo a revista especializada Jane’s, a Índia tem entre 50 e 150 armas nucleares e o Paquistão entre 25 e 50.

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