Brasília - O ex-secretário de Assuntos Parlamentares da Presidência da República, Waldomiro Diniz, será investigado por duas frentes. Uma comandada pelo delegado da Polícia Federal (PF) Antônio César Fernandes Nunes, que irá apurar a existência de crime nas denúncias feitas contra Diniz, como ficou praticamente comprovado nas fitas gravadas pelo bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A outra frente será dirigida pela procuradora da República no Rio de Janeiro, Andréia Araújo, que verificará se houve crime contra a administração pública.
Nunes tem reunião hoje com o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, com o diretor-executivo da instituição, Zulmar Pimentel, e com seu chefe imediato, o coordenador-geral de Repressão ao Crime Organizado da PF, Getúlio Bezerra. Depois, viaja para o Rio, onde será instaurado o inquérito, já que a maior parte das gravações foi feita no Estado. Nunes pedirá exames para atestar a autenticidade das fitas e poderá chamar Carlinhos Cachoeira para depor logo de início para confirmar ou não as denúncias. Em seguida, deverá chamar outros dois bicheiros que já prestaram depoimento ao Ministério Público Federal que comprometem Diniz.
A Procuradoria da República no Rio praticamente dará continuidade às investigações iniciadas em Brasília pelo sub-procurador-geral da República, José Roberto Santoro, e pelos procuradores Mário Lúcio de Avelar e Marcelo Serra Azul. Os três receberam as denúncias e, por tratar-se de um suposto crime ocorrido no Rio, transferiram o caso para sua colega Andréia Araújo. Além dos dois bicheiros já ouvidos no Distrito Federal, a procuradora deverá realizar novos depoimentos, principalmente de pessoas ligadas a Carlinhos Cachoeira e Diniz. Além dela, o Ministério Público Federal vai indiciar outro de seus integrantes para acompanhar o inquérito aberto pela PF.
Apesar de o inquérito aberto pela PF ter como objetivo principal apenas investigar as atividades de Diniz, a apuração deverá chegar ao autor das gravações feitas em vários locais, inclusive em aeroportos. ''Com certeza alguém facilitou as filmagens'', afirma um delegado envolvido nas investigações.
O fato de Diniz ter sido monitorado no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistcheck, de Brasília, levou os investigadores a suspeitar de que pessoas do próprio governo tenham facilitado as filmagens. A maior parte das câmeras localizadas nos saguões do aeroporto são fixas e, pelas fotos publicadas, aparentemente havia imagens feitas por equipamentos móveis. ''É quase impossível que as filmagens tenham sido feitas apenas por uma pessoa ou com câmeras da Infraero'', afirma a fonte.

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