Diniz e 'Cachoeira' têm sigilo quebrado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 2004
Agência Estado 
Rio - A juíza 17 Vara Cível, Teresa de Andrade Castro Neves, em exercício na 6 Vara de Fazenda Pública, determinou, no início da noite de ontem, a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República Waldomiro Diniz e do empresário Carlos Augusto Ramos, o ''Carlinhos Cachoeira''. A partir de hoje, um oficial de Justiça deverá cumprir o mandado de quebra do sigilo, de fevereiro de 2001 a dezembro de 2002, período em que Diniz foi presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
O pedido do Ministério Público (MP) havia sido feito com base em relatório apresentado na semana passada pela Procuradoria-Geral do Estado, após análise dos atos administrativos do ex-presidente da Loterj. Um promotor disse ontem ter ''provas'' de que o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência da República alterou um edital de licitação para a exploração de jogos no Estado. O objetivo seria favorecer ''Carlinhos Cachoeira''.
''A quebra do sigilo é fundamental para pegar a quantidade de dinheiro que foi movimentada na época. Já solicitei à Secretaria de Administração o valor do salário que Waldomiro recebia na Loterj para saber se houve discrepância. Também será possível, em tese, saber para onde foi o dinheiro'', disse o promotor.
De acordo com a investigação, Diniz encaminhou ofício ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) pedindo a alteração do edital em março de 2002, e a mudança foi efetivada. Há cerca de um mês, a revista ''Época'' divulgou trechos de uma gravação feita em 2002 em que ele aparece, supostamente, negociando propina, contribuições para campanhas eleitorais e mudanças em licitação para exploração de jogos eletrônicos com o empresário.
A alteração de duas cláusulas do edital restringiu a atuação da vencedora da licitação, a empresa Hebara Distribuidora de Produtos Lotéricos, o que, indica a investigação, beneficiou os negócios do consórcio Combralog, de ''Carlinhos Cachoeira'', que pôde continuar com o monopólio das loterias virtuais.
Apesar de o procurador-geral do Estado, Francesco Conte, ter afirmado, ao divulgar o relatório, que a modificação no edital ocorrera em junho de 2002, Diniz fez o pedido de alteração ao TCE em março, quando a licitação estava em curso, como mostra ofício assinado pelo então presidente da Loterj.
O suposto favorecimento à empresa de ''Carlinhos Cachoeira'' teria ocorrido, então, no último mês do governo de Anthony Garotinho, à época no PSB, hoje no PMDB, e não durante a gestão da ex-governadora e ex-ministra de Assistência e Promoção Social Benedita da Silva (PT), como afirmara Conte, que foi nomeado para o cargo pela governadora Rosinha Garotinho (PMDB).


