Diniz depõe e é indiciado por prevaricação
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terça-feira, 02 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília - O ex-subchefe da Casa Civil Waldomiro Diniz reapareceu ontem, depois de quase 20 dias de sumiço, para prestar depoimentos na Superintendência da Polícia Federal. Ao final de mais de três horas de interrogatório, o ex-assessor palaciano foi indiciado por prevaricação, sob a acusação de ter facilitado a sonegação de impostos de casas de bingos quando era presidente da Loteria do Estado do Rio de Janeiro, entre 2001 e 2002. Pela primeira vez desde que estourou o escândalo em que ele é acusado de envolvimento com o suposto bicheiro Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o ex-assessor da Casa Civil falou, em rápida entrevista, à saída da Polícia Federal, ontem à noite: ''Neste momento, sou o maior interessado em buscar a verdade. Estou confiante na Justiça brasileira e nas investigações que estão sendo desenvolvidas.''
No período de mais de três horas em que passou no prédio da superintendência da PF, ele alegou que só daria suas respostas em juízo e não respondeu a nenhuma das 50 perguntas feitas pelo delegado Antonio Cesar Nunes, responsável pelo inquérito que apura se ele recebeu ou não propina do suposto bicheiro Cachoeira para campanhas eleitorais, de acordo com denúncia publicada pela Revista Época. Em uma hora e meia de interrogatório, Waldomiro só demonstrou descontração por alguns segundos, quando o delegado lhe perguntou qual era sua profissão. ''Sou funcionário público'', disse, com um leve sorriso no rosto.
Neste inquérito, a Polícia Federal pode, tecnicamente, indiciar Waldomiro Diniz por improbidade administrativa ou por crime eleitoral, já que as fitas divulgadas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira onde ele aparece pedindo doação de campanha e supostamente cobrando propina já foram periciadas e sua veracidade comprovada. Mas a PF não deverá fazer o indiciamento, pois Waldomiro, apesar da opção pelo silêncio, não tem se negado a comparecer aos depoimentos.
No segundo depoimento do dia, também na Polícia Federal, o ex-assessor palaciano manteve a estratégia definida por seu advogado Luiz Guilherme Vieira. Waldomiro foi ouvido pelo delegado Herbert dos Reis Mesquita, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Federal do Rio de Janeiro, sobre supostas irregularidades que teria cometida na presidência da Loterj, entre 2001 e 2002. Neste inquérito ele foi indiciado por prevaricação. Hoje, Waldomiro deverá depor no Ministério Público Federal.


