Dinheiro sustentava esquema político
O interrogatório de ontem diz respeito à ação penal que investiga a evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio do envio para o exterior de US$ 444,6 milhões por meio de contratos fraudulentos de câmbio entre 2011 e 2014. Os contratos teriam sido usados para pagamentos de importações fictícias por meio das empresas Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia, Indústria e Comércio de Medicamentos Labogen Ltda., Piroquímica Comercial Ltda., RMV e CVV Consultoria em Informática Ltda., Bosred Serviços de Informática Ltda., HMAR Consultoria em Informática Ltda., além das offshores DGX Imp. and Exp. Limited e RFY Imp. Exp. Ltda. Youssef foi ouvido novamente porque em seu primeiro depoimento, em agosto de 2014, ele permaneceu calado.
Sobre a acusação do MPF, o doleiro informou que mantinha relação com Leonardo Meirelles, que era o proprietário das empresas citadas na denúncia. Segundo explicou Youssef, ele utilizava as empresas de Meirelles para obter reais em espécie e pagar "quem era de direito, na época, Paulo Roberto Costa e políticos do PP". "Passei a fazer TED (Transferência Eletrônica Disponível) para Leonardo por meio das empresas de Waldomiro (MO Consultoria, Rigidez e RCI Software) e ele passou a entregar os reais no meu escritório. Ele fazia a remessa para o exterior, vendia estes valores no mercado negro de câmbio, obtinha os reais e me entregava", detalhou. Estes recursos tinham origem em contratos ilícitos fechados com a Petrobras. As empresas de Waldomiro emitiam notas contra as empreiteiras de serviços não prestados para que elas pudessem receber estes valores.
"Meu cliente esclareceu todas as remessas e confirmou que era para a sustentação de um esquema político, inclusive foi muito claro em relação aos partidos. Este esquema funcionou de uma maneira vertical, comandado por agentes políticos para fazer funcionar a máquina política por pelo menos 12 anos", declarou o advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto. (R.C.J.)





