Dinheiro não indeniza o sofrimento
Importante socorro financeiro para Diogo Gimenez, que quer comprar uma casa no bairro Boa Vista, em Curitiba, e uma quantia simbólica para Berek Kriger, que diz ter sido obrigado a se desfazer de propriedades e de negócios para pagar os advogados que o defenderam. A indenização de R$ 30 mil fixada pela Comissão Especial e que ainda depende da liberação do governador Jaime Lerner é quase nada perto do que os ex-presos políticos do Paraná dizem ter sofrido.
Gimenez conta que no dia 12 de setembro de 1975 foi sequestrado e algemado por homens encapuzados quando circulava pela avenida Paraná, na capital. A captura, que acabou num quartel, rendeu-lhe a fratura de seis costelas. Foi horrível. Depois deste incidente, fiquei desaparecido outras três ou quatro vezes, lembra o vendedor de livros. Ele diz que havia uma clínica, chamada Marumbi, onde as torturas eram colocadas em prática.
Berek Kriger foi acusado pela Delegacia de Ordem Política e Social, o Dops do Paraná, e pelo Doi-Codi, órgão repressor mantido pelo comando militar, de ser o mentor de uma suposta operação política conhecida por Pinta Silvo. Nunca ninguém soube o que era isso, diz. Advogado militante do Partido Comunista, ele foi preso quatro vezes.
A primeira foi em 64. Berek Kriger ficou detido 60 horas. A segunda foi no ano seguinte e durou 15 dias. Fui jogado numa estrebaria, houve simulação de fuzilamento e fiz greve de fome. A tortura psicológica foi horrível. Eles queriam me arrancar algo que não havia, comenta. Em 67, Kriger foi preso novamente pelo Doi-Codi, mas foi em 75 a sua privação mais longa. Permaneceu durante oito meses à mercê dos militares. A sua absolvição veio apenas em 1977.
O pagamento destas indenizações serviu para pelo menos uma coisa: resgatamos a nossa dignidade. O dinheiro não é nada, mas pela primeira vez admitiram que houve erro, diz, aliviado, Berek Kriger. Para ele, a tortura ainda existe no Brasil, mas maquiada. Não são mais os militares, são os policiais. Não sou a favor de bandido, mas acho que os abusos e a violência nas prisões devem ser condenados, prega.(L.D)





