O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC), integrante da CPI dos Títulos Públicos, garantiu ontem à Folha que os R$ 7,5 milhões ‘lavados’ pela empresa ‘fantasma’ Asempre Consultoria e Assessoria Empresarial no Paraná, através de cerca de 600 cheques, já estão no Paraguai. ‘‘Tenho a obrigação agora de ir atrás dos valores. Esta será a segunda etapa da minha investigação’’, informa o senador que, na última segunda-feira, comandou em Curitiba, junto com agentes da Polícia Federal, operações de rastreamento dos cheques repassados pela ‘fantasma’.
Kleinubing só viajou ontem à noite a Brasília. Passou o dia envolvido no processo de discussões em torno do pedido de impeachment contra o governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB-SC), em Florianópolis. Ele evita dar mais detalhes do levantamento que fez em Curitiba e diz que ainda não sabe que destino dará aos documentos reunidos na agência do Banco do Brasil, no Alto da Rua XV.
Kleinubing não embasou a sua constatação de que o dinheiro ‘lavado’ pela Asempre está no Paraguai. Quando questionado se o Banco Del Paraná, o braço do Banestado no Paraguai, poderia estar envolvido no processo, o senador do PFL desconversou. ‘‘Fica complicado fazer uma investigação profunda dando entrevistas que tornam públicos os fatos’’, argumenta o pefelista que deve repassar os resultados do rastreamento para os senadores integrantes da CPI.
De concreto, o senador adianta que os dois ‘laranjas’ usados como proprietários da Asempre e cujos nomes ainda são mantidos em sigilo pela Polícia Federal do Paraná já foram contactados ainda na segunda-feira. ‘‘São dois coloninhos de roça. Alguém pegou o cadastro deles em alguma loja. Falsificou a identidade e os colocou como donos da empresas’’, afirma Vilson Kleinubing, confirmando que ‘‘as assinaturas constantes em todos os documentos da empresa são frias’’. A Folha apurou que, conforme o contrato social registrado na Junta Comercial do Paraná, os proprietários da empresa Asempre são Celso Augusto de Souza e Valdir Antonio Felismino. O endereço da empresa no contrato é Rua Marechal Floriano, 3.447. No local funciona um shopping de carros.
O senador voltou a reforçar que os dois ‘testas-de-ferro’ são inocentes em todo o esquema de lavagem do dinheiro da IBF, uma das corretoras sob suspeita na CPI dos Precatórios. ‘‘Eles foram usados por alguém ou algum grupo que ganhou muito com isso e que eu ainda vou descobrir’’, assegurou.

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