Dinheiro entregue a Jacks seria para o PT, admite advogado
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sexta-feira, 16 de abril de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) trabalham há cerca de uma semana com prioridade absoluta para as investigações sobre a apuração da denúncia de pagamento de uma espécie de ''mensalinho'' ao ex-secretário de Gestão Pública, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) e atual vereador Jacks Dias. Os pagamentos realizados entre 2006 e 2008, variando de R$ 5 mil a R$ 6 mil, teriam sido exigidos da empresa Sertcon, que presta serviços terceirizados à Autarquia Municipal de Saúde (AMS). A denúncia foi reportada ontem pela FOLHA, com exclusividade.
O advogado Omar Baddauy, que defende as empresárias Marli Aparecida Batilani e Monica Amstalden, confirmou que elas foram procuradas por Jacks após ele ter assumido como secretário porque a Prefeitura pretendia realizar nova licitação dos serviços prestados pela empresa, o que não ocorreu. ''O Jacks acabou solicitando colaboração para o Partido dos Trabalhadores e elas aquiesceram em colaborar. Fizeram isso durante algum tempo, limitado a uma meia dúzia de vezes, nos valores citados de R$ 5 mil a R$ 6 mil'', afirmou. ''Sentiram-se pressionadas? Não se sabe. Isso é subjetivo... Ele (Jacks) não declarou jamais que 'isso aqui (o contrato) só será mantido se vocês colaborarem'. Esse tipo de conversa não existiu'', complementou.
Nos depoimentos ao MP, Baddauy disse que as empresárias declararam que as supostas doações eram lançadas no movimento fiscal da Sertcon - que pertence ao grupo Setrata - da mesma forma que as retiradas mensais que faziam. O controle destes lançamentos, segundo o advogado, era feito pelo funcionário que acabou demitido tempo depois e que seria o autor das denúncias. Segundo o advogado, todas as ''doações'' ao então secretário de Gestão Pública teriam sido feitas pessoalmente por Antônio Batilani, pai de uma das empresárias. ''Este dinheiro, ele (o pai) assumiu (em depoimento) que levou, declinou o local que levou e a quantia entregue.'' Baddauy negou que o próprio funcionário demitido teria feito o repasse em algumas ocasiões. O defensor refutou também que suas clientes teriam pago quantias a um servidor da secretaria para obterem informações privilegiadas. Elas teriam sido ouvidas como investigadas e como ''colaboradoras espontâneas''.
Ontem, o vereador investigado divulgou nota informando que estava em viagem e que teria sido ''surpreendido'' pelas denúncias com ''informações absolutamente improcedentes, que colocaram em dúvida a lisura na condução da Secretaria Municipal de Gestão Pública'' por ele conduzida entre 2005 e 2007. ''Os contratos públicos foram sempre tratados por uma equipe de servidores competentes e especializados e nunca por uma única pessoa'', destacou, frisando que se dispõe a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
Na prestação de contas relativa à campanha de 2008 de Jacks, entregue à Justiça Eleitoral, não consta nenhuma doação em nome da empresa ou de suas sócias.


