Antonio BritoOs governos estaduais têm dado diferentes destinos ao dinheiro arrecadado com as privatizações. Em alguns casos, milhões de reais foram usados para abater dívidas ou cobrir despesas da folha de pagamento do funcionalismo. Parte da verba, no entanto, está sendo aplicada em áreas prioritárias, como a educação e a saúde, a construção de estradas e a melhoria do setor energético.
Dessa forma, repete-se nos Estados a discussão que já mobilizou o governo federal: o dilema entre investir o dinheiro das privatizações ou usá-lo para tapar buracos da administração pública. O Ceará, por exemplo, optou pelo primeiro caminho. Todos os R$ 93,7 milhões que o Estado ganhou com a venda de ações preferenciais da companhia de energia elétrica serão investidos em projetos sociais e obras de infra-estrutura.
De acordo com o secretário da Fazenda do Ceará, Ednilton Gomes de Soares, o Estado pode investir nessa direção porque as finanças públicas são estáveis, os salários do funcionalismo estão em dia e a dívida pública vem sendo honrada. ‘‘Não gastamos nada além da nossa capacidade de gerar receitas’’, diz. Além da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce), o governo também pretende entregar ao setor privado o banco estadual e a estação de tratamento de água.

Marcelo AlencarO Ceará é um caso raro. Todos os governadores anunciam investimentos em obras e programas sociais com o produto da desestatização. A maioria, porém, tem outros problemas para resolver - cobrir despesas, pagar juros ou mesmo se livrar de empresas e bancos que eram deficitários.
O Rio privatizou suas companhias de gás e energia, arrecadou R$ 1,2 bilhão, mas R$ 160 milhões já foram usados para pagamento de débitos. Outros R$ 25 milhões estão nos cofres do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em forma de juros de um empréstimo de R$ 250 milhões. O banco do governo, o Banerj, foi vendido por R$ 311,1 milhões.
Além de pagar dívidas, o governador Marcello Alencar (PSDB) quer tocar obras com o dinheiro da vendas das empresas. ‘‘O povo pede e precisamos fazer’’, anuncia. O secretário estadual de Fazenda, Marco Aurélio Alencar - responsável pelo programa de privatizações - informou que o governo investiu os recursos na ampliação do Metrô do Rio e em obras rodoviárias, de urbanização e de saneamento básico.

Vitor BuaizA empresa de Energia Elétrica de Sergipe (Energipe), primeira estatal a ser privatizada pelo governador Albano Franco (PSDB), vai a leilão em novembro na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Seu preço mínimo ainda está sendo avaliado, mas técnicos do governo calculam que a Energipe poderá ser vendida por R$ 210 milhões. ‘‘Acredito no sucesso da operação e que teremos um ágio de 77%’’, afirma o secretário de Planejamento, Marcos Melo. Mas, a exemplo do Rio, Sergipe também está pendurado no BNDES - e R$ 60 milhões serão pagos ao banco.
Até agora, a maior privatização do governo Antonio Britto (PMDB) foi a da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) - 35% da empresa foram vendidos em dezembro do ano passado e deu ao Estado R$ 681 milhões. Mais uma vez o BNDES abocanhou a sua parte: R$ 130 milhões devidos por antecipação de recursos. Do total, R$ 113,8 milhões também foram repassados à Telebrás - 6% dos 35% pertenciam à empresa.

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