Dinheiro é pouco, mas contas são pagas em dia
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sábado, 21 de maio de 2005
Mariana Caetano<br> Agência Estado 
São Paulo - Antonio de Oliveira vai receber R$ 300 no dia 4. Tem 91 anos e ainda sustenta seus dois filhos, Maria Aparecida e Benedito. Ela é professora formada, mas vive da aposentadoria do pai, assim como o irmão. Os dois fazem bicos para completar o orçamento da casa, na periferia de Porangaba (SP). O dinheiro é pouco para manter a família, dois cachorros e quatro gatos que também vivem lá, num terreno de mais ou menos 150 metros quadrados, casa de bloco aparente e quintal em que a vegetação divide lugar com amontoados de trapos sujos, dois esqueletos de cadeira, outro de sofá.
''Eu queria mesmo era uma viola'', diz seu Antônio, ao responder à pergunta em voz alta ele é deficiente auditivo sobre o que faria se sobrasse algum dinheiro. Em geral, falta, mas ele costuma pagar suas contas religiosamente em dia. É gente como seu Antônio e dona Terezinha dos Santos Nascimento, de 73 anos, com o mesmo salário mínimo de pensão que o marido lhe deixou, que contribui decisivamente para a sobrevivência de Porangaba, de 6.652 habitantes, segundo o IBGE (2000) ou 11 mil, de acordo com o prefeito Benedito Machado Neto (PSDB).
Aposentadorias e pensões fazem o mundo girar em Porangaba. ''Dá uns 40% da clientela, mas a diferença é que os aposentados costumam pagar certinho. Se compram na caderneta, pagam no dia combinado'', conta José Edson da Silva, dono de duas padarias, no centro do município, que vendem um pouco de tudo, além de pão. Na Drogaria São José, eles são 85% da clientela. ''Tenho 417 fregueses em carteira e os aposentados são os menos inadimplentes'', diz o proprietário Cláudio Corrêa.
Nos bolsos de gente como Antônio, Terezinha e Olívio Melo, que aos 77 anos faz voluntariamente a poda de parte das árvores da cidade para passar o tempo, entraram do Instituto Nacional do Seguro Social, em 2003, R$ 6,5 milhões. Mais do que a prefeitura teve para gastar naquele ano: R$ 5,4 milhões, dos quais R$ 3,5 milhões foram repassados pela União ou pelo governo estadual. No mesmo período o INSS arrecadou apenas R$ 1.062.409,17, um quinto do que pagou em benefícios.
Hoje, são 1.490 aposentados e pensionistas, com uma remuneração média de R$ 380. Quase um terço é de aposentados rurais, que, na grande maioria, nunca contribuíram para o INSS.
''Se esse povo perdesse a aposentadoria e dependesse da prefeitura, aí seria o caos'', afirma o prefeito, espantado ao saber que os repasses do INSS rivalizam com o seu orçamento de um ano. ''O problema é que muita gente mal consegue viver dessas aposentadorias. Temos de dar assistência.''
Diariamente, duas vans da prefeitura levam idosos e pessoas carentes para hospitais em Botucatu. Há dois postos de saúde em Porangaba, nenhum leito hospitalar. A Casa Amiga, mantida com recursos do município, do Estado e da União, dá apoio para 20 idosos carentes.


