O secretário da Agricultura Hermas Brandão evitou dar entrevistas ontem. Passou o dia reunindo documentos e elaborando uma carta a ser enviada ao senador Roberto Requião, em Brasília. Ele diz na carta que os R$ 15 mil depositados pelo funcionário da Macarrão Jandaia, em sua conta na Caixa Econômica Federal, referem-se à venda de 62 vacas, feita à família do deputado estadual Milton Pupio, em setembro de 96, sem relação alguma com o termo firmado com o município de Faxinal, em dezembro do ano passado.
‘‘Há mais de 30 anos o signatário (Hermas Brandão) exerce as atividades de agropecuarista com propriedades nos municípios de Bandeirantes e Reserva e durante todo esse período manteve relações de negócios do mesmo ramo com Miltinho Pupio e seus irmãos que administram a empresa da família’’, diz a correspondência divulgada. Brandão anexou nota fiscal de produtor, a de nº 50, tributada pela prefeitura de Reserva. ‘‘Esclarece ainda o signatário que a nota fiscal nº 50 foi expedida pela empresa Herbran Agro Pecuária Ltda, da qual são titulares o signatário e sua esposa’’.
O secretário de Lerner assinala ainda que o convênio ‘‘atendeu todas as exigências legais e os interesses do Estado e da região’’. Diz também que o processo licitatório, que deu vitória à empreiteira Depósito Navarro de Materiais de Construção, ficou ‘‘sob a responsabilidade exclusiva do município de Faxinal, não havendo por parte do secretário qualquer interferência no aludido processo’’.
Brandão diz que a Macarrão Jandaia, da família Pupio, e a Depósito Navarro mantêm relações comerciais com o deputado estadual ‘‘há anos’’, razão para que o dinheiro tivesse desaguado na conta da empresa.
A Folha tentou contato com o ex-prefeito de Faxinal, mas o seu número de telefone não é divulgado pela Telepar. O deputado estadual Milton Pupio viajou na segunda-feira para o Norte do Estado. Sua assessoria em Curitiba não soube informar o destino do parlamentar.

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