Curitiba - O procurador de Justiça Leonir Batisti, à frente da Operação Ectoplasma I, disse ontem em entrevista à imprensa que foram encontrados documentos que comprovariam que uma parcela de dinheiro foi desviada dos cofres da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná para a fazenda do ex-diretor geral da Casa Abib Miguel, localizada em Goiás. Os documentos foram encontrados na casa de Abib no sábado último, quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu nove mandados de busca e apreensão.
Batisti informou, contudo, que não poderia explicar em detalhe o conteúdo dos documentos. Ele também preferiu não falar em valores. ''São documentos escritos que comprovam que o dinheiro foi para uma conta da fazenda dele'', resumiu.
Outra parte do material apreendido também comprovaria a relação entre Abib Miguel e João Leal de Matos, servidor que teria usado documentos de parentes para desviar dinheiro da AL.
Terminou ontem o período da prisão preventiva de todas as dez pessoas alvos da Operação Ectoplasma I, iniciada no sábado, mas quatro pessoas continuam presas: além de Abib Miguel e de João Leal de Matos, o ex-diretor administrativo da AL José Ary Nassiff e o ex-diretor de pessoal da Casa Cláudio Marques da Silva. O Gaeco pediu a prorrogação das prisões deles por mais cinco dias, o que foi acatado pelo Judiciário.
Já os seis parentes de João Leal de Matos, também presos no sábado, estão todos liberados. Na noite de terça-feira, a filha Priscila já havia conseguido um habeas corpus. Além dela, outras duas parentes do servidor já haviam sido liberadas antes do término da prisão preventiva: a cunhada Nair e a sogra Maria José, que saíram ainda no sábado, depois de admitirem que, em troca de seus documentos pessoais, recebiam R$ 150,00 por mês de Matos e também de Abib. Ontem foram liberadas a esposa do servidor, Iara, a irmã Jermina e a sobrinha Vanilda. ''Não podíamos mais sustentar a prorrogação do pedido de prisão alegando que elas se calaram, que elas não quiseram colaborar com as investigações. Já a liberdade dos demais (os três ex-diretores da AL e o servidor) poderia prejudicar o andamento da investigação'', explicou Batisti.
Folhas de pagamento
O Ministério Público (MP) do Paraná ainda não foi notificado da decisão do desembargador Ivan Bortoleto que, atendendo parcialmente a um pedido do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Assembleia Legislativa, restringiu o fornecimento ao MP das folhas de pagamento de todos os servidores da AL. Os promotores de Justiça que estão à frente do caso anteciparam ontem que devem entrar com um recurso contra a decisão do desembargador.
Questionado sobre a decisão do desembargador Bortoleto, Batisti comentou que ''sem sombra de dúvida representa um atrapalho''. ''As situações de irregularidades não se referem a um grupo. Os casos catalogados não são os únicos. O volume de irregularidades é tão grande que justifica a obtenção de todas as folhas de pagamento'', afirmou.

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