Diluição de reposição salarial desagrada parte dos contemplados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
A reposição de perdas salariais ocorridas na gestão Nedson Micheletti (PT), entre 2000 e 2008, desagrada um grupo de servidores de nível superior que reclama do parcelamento em dez anos. O projeto de lei (PL), protocolado anteontem na Câmara Municipal de Londrina (CML), inclui os quase 4 mil professores da rede municipal de ensino, beneficiando, segundo o Sindicato dos Servidores Municipais de Londrina (SindiServ), quase cinco mil funcionários. O impacto financeiro seria de cerca de R$ 5 milhões anuais.
Para o grupo insatisfeito, é isso que provoca o prolongamento do prazo e provoca a cisão entre os funcionários do Executivo. Já na visão do presidente do SindiServ, Marcelo Urbaneja, a fragmentação ocorreria se fosse feita separando as categorias.
A atual gestão "zerou" as perdas salariais da gestão Micheleti para os agentes de gestão pública (cuja função exige ensino fundamental) e os técnicos de gestão pública (ensino médio) obtiveram o benefício em três parcelas a última será paga em 2016. O reajuste para os promotores de gestão pública (ensino superior), quase 800, ficou por último e deve começar a ser pago no ano que vem, se aprovado este ano o texto encaminhado ao Legislativo.
Porém, apesar de a Prefeitura de Londrina exigir dos profissionais do magistério o ensino superior há anos, apenas em 2011 os equiparou aos promotores de gestão pública, o que ocasionou um reajuste de 16% nos salários, segundo Urbaneja.
A reclamação dos promotores de gestão pública é que incluir nesta reposição os professores, que já obtiveram reajuste há quatro anos, leva à diluição dos benefícios dos funcionários que sofrem os efeitos das perdas até hoje em uma década.
Colocando-se como porta-vos dos insatisfeitos, o fisioterapeuta José Giuliangi de Castro afirma que colocar todos os servidores em uma única discussão acaba por jogá-los uns contra os outros. "O que nós (promotores) queremos é que o nível superior tenha uma negociação em separado dos profissionais da educação", afirma.
Urbaneja afirma que a proposta de reajuste foi aprovada em assembleia com cerca de 140 pessoas e argumenta que a posição dos "dissidentes" é que provoca cisão. "Nós (sindicato) queremos a reposição de 28% para todos, eles querem só para eles", compara.
O sindicalista ainda atribui a discussão ao período pré-eleitoral que vive o SindiServ, que elegerá nova diretoria no ano que vem. Giuliangi nega e diz que, devido à posição do sindicato, os promotores de gestão pública estão se desfiliando e pensam em criar uma associação representativa para negociar diretamente com o prefeito.
O fisioterapeuta é foi assessor de Acessibilidade da gestão Barbosa Neto (sem partido) e foi vereador pelo PT em Rolândia, em legislatura encerrada em 2004.
O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) afirma que o prazo dado no PL é o mais prudente, diante da situação econômica do país e que a inclusão dos professores na discussão foi proposta pelo próprio sindicato. "Atendemos uma reivindicação sindical, aprovada em assembleia, e não apenas um grupo", diz.
Giuliangi diz que a mobilização será agora na CML, conversando com os vereadores para tentar diminuir a diluição.


