Dilma volta de Porto Alegre e convoca reunião no Alvorada
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domingo, 27 de março de 2016
Isadora Peron<br>Agência Estado 
Brasília - Logo após voltar de Porto Alegre no fim da tarde deste domingo, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião no Palácio da Alvorada. A petista terá pela frente uma das semanas mais difíceis desde que o processo do impeachment foi aberto na Câmara, com a oficialização do desembarque do PMDB do governo previsto para amanhã.
Auxiliares da presidente classificam a decisão do partido do vice-presidente Michel Temer como irreversível e chegam a falar que "só um milagre" faria os peemedebistas mudarem de ideia. Eles não descartam também uma debandada dos demais partidos da base aliada, como o PP e o PSD.
Para um ministro do PT, os próximos 15 dias vão definir se Dilma continua ou não na Presidência. Com o desembarque do PMDB, a ordem é atuar no varejo para conquistar deputados. Hoje, o cálculo é que o governo não tem os 171 votos necessários para barrar o impeachment e que seria muito difícil parar processo depois que ele chegar ao Senado.
Sem interlocução com Temer, Dilma delegou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a tarefa de tentar se aproximar do vice. Na semana passada, o petista não obteve sucesso na empreitada. Temer sequer atendeu aos telefonemas do ex-presidente. Uma nova tentativa deve ser feita hoje, mas há pouca esperança que isso altere o quadro já desenhado.
Até mesmo a nomeação de Lula para a Casa Civil já é vista, no Planalto, como algo que perdeu o sentido. Com o caso dependendo de uma posição do Supremo Tribunal Federal - o que não deve acontecer nesta semana -, a saída vai ser o ex-presidente atuar como interlocutor informal do governo, como já vem fazendo. No alvo da Lava Jato, porém, a avaliação é de que Lula já não mostra a mesma influência de outrora.
UNANIMIDADE
Animados com o apoio do PMDB do Rio, os aliados do vice-presidente Michel Temer já apostam em uma vitória arrebatadora na votação do diretório nacional do partido marcado para amanhã. Agora, tentam negociar com a ala governista uma unanimidade em favor do rompimento com o governo. O encontro da sigla deve aprovar a entrega de cargos à presidente, a começar pelos sete ministérios que o partido comanda.
Temer chegou à noite a Brasília para uma série de reuniões para combater focos de resistência governista. Para o vice-presidente, alcançar a unanimidade é importante para sinalizar politicamente que o PMDB está unido em torno dele e de seu eventual governo. Ele cogita inclusive presidir o encontro se sentir que pode transformá-lo num ato político a favor de sua chegada ao comando do País, aprovando o rompimento por aclamação.


