Imagem ilustrativa da imagem Dilma volta a falar em golpe e defende novas eleições
| Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
"País está sendo dilacerado por um golpe que ainda não se completou", discursou Dilma no evento organizado por mais de 100 entidades



Curitiba - A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) disse ontem, em Curitiba, que o Brasil está sendo "afetado, tomado e dilacerado por um golpe parlamentar que ainda não se completou, mas que temos todos a obrigação de parar". Ela foi a principal atração do dia do "Circo da Democracia", encontro organizado de 5 a 15 de agosto por mais de 100 entidades da sociedade civil, em uma lona montada na Praça Santos Andrade, no centro. O objetivo é debater questões como participação política, educação, justiça, cultura, economia e comunicação.
"Este golpe tem um sentido claro. Trata-se de aplicar um programa que nunca seria possível de ser aplicado se tivesse passado pelas urnas e pela vontade popular", discursou. A petista voltou a defender, caso vença o processo de impeachment no Senado, uma "repactuação", que inclua não só a realização de novas eleições presidenciais em 2016, mas também uma ampla reforma política. "Temos uma fragmentação partidária assustadora, que é a mãe e o pai do fisiologismo, da política nefasta (…) Toda a estrutura de financiamento de campanha, acesso a horário eleitoral e fundo partidário leva à ‘desprogramatização’ dos partidos. Que sejam cinco, seis ou sete, e não 25 (legendas com representação no Congresso Nacional)", sugeriu.
Dilma chegou por volta de 18h15, acompanhada da ex-ministra de Política para as Mulheres Eleonora Menicucci, e discursou por 40 minutos. Também compuseram a mesa os senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Roberto Requião (PMDB-PR), muito elogiados por ela, a poeta Alice Ruiz, a vice-prefeita da cidade, Mirian Gonçalves (PT), sindicalistas e membros de movimentos sociais. As falas eram intercaladas por gritos contrários ao governo do interino Michel Temer (PMDB-SP) e ao juiz federal Sérgio Moro, responsável por julgar as ações penais da Operação Lava Jato em primeira instância.
"Tenho certeza que essa luta é justa. Acredito nisso. Acreditando nisso eu resisto; resistindo eu luto; e lutando eu me encontro nessa luta com vocês. Não é meu mandato que está em questão. O que está em questão é a democracia. E não uma democracia genérica ou abstrata. É o que vai acontecer amanhã", prosseguiu a presidente. Houve ainda uma série de menções, por parte do cerimonial, a frases históricas de mulheres, como a própria Alice, a poeta Helena Kolody e a escritora e filósofa feminista Simone de Beauvoir.
Dilma aproveitou a ocasião para criticar a repressão a atos contra Temer durante a Olimpíada. "Não surpreende que nos últimos dias tenham prendido pessoas que se manifestam dizendo ‘Fora, Temer’ (…) É estranho que não seja possível falar no (estádio do) Maracanã e em Deodoro (onde fica um complexo sede de diversas competições)". A organização dos Jogos alega, contudo, se basear na lei 13.284, sancionada pela própria petista em 10 de maio. A legislação proíbe bandeiras "que não sejam para fins festivos ou amigáveis", além de manifestações de caráter "ofensivo, xenófobo, racista ou que estimulem outras formas de discriminação".

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