Dilma troca ministro de olho nos evangélicos
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
<br> Folhapress <br> 
São Paulo - Com o objetivo de blindar o petista Fernando Haddad contra críticas dos evangélicos na campanha à Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff promoveu ontem mais uma mudança na Esplanada dos Ministérios. Dilma escolheu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e um dos principais representantes dos evangélicos no Congresso, para substituir o petista Luiz Sérgio no comando do Ministério da Pesca e Aquicultura. A posse do novo ministro será na sexta-feira. Em nota, a presidente disse estar ''segura'' de que Crivella ''prestará relevantes serviços ao Brasil'' e afirmou que a troca ''permite a incorporação ao ministério de um importante partido aliado da base do governo''.
Na avaliação do Palácio do Planalto, a nomeação de Crivella poderá conter as críticas que os evangélicos ameaçam fazer contra Haddad por causa do kit gay, material que o governo planejava entregar a alunos da rede pública para combater o preconceito contra homossexuais. Encomendado pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro, o kit teve sua distribuição suspensa pelo governo no ano passado, depois de receber críticas de líderes evangélicos.
Em entrevista à Folha de S.Paulo em fevereiro, o presidente do PRB, Marcos Pereira, que também é bispo da Igreja Universal, afirmou que o kit afastaria os evangélicos do candidato petista em São Paulo. Com a escolha de Crivella, o Planalto espera ainda fazer um agrado à direção da TV Record, que é controlada pela Igreja Universal. A emissora veiculou várias reportagens críticas sobre o kit gay.
O novo ministro negou relação entre sua escolha e a disputa eleitoral. ''Em nenhum momento, quando a presidente me convidou, isso foi aventado'', afirmou Crivella. ''Pelo contrário, só tivemos conversas técnicas.''
Recentemente, líderes evangélicos ficaram descontentes com o governo por causa de declarações do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com os igrejas e movimentos sociais. Em palestra em fevereiro, Carvalho disse que o Estado deveria entrar numa disputa ideológica pela ''nova classe média'', que estaria sob hegemonia dos evangélicos. O ministro afirmou ter sido mal compreendido e pediu ''perdão'' pelo ''sentimento'' que suas declarações haviam provocado.
Representantes dos evangélicos no Congresso também ficaram insatisfeitos com a nomeação da petista Eleonora Menicucci para o cargo de ministra de Políticas para as Mulheres há um mês. Ela defende a descriminalização do aborto e no passado admitiu ter feito dois abortos. Na reta final da campanha presidencial de 2010, Dilma sofreu forte pressão dos evangélicos e assumiu o compromisso de que não mudaria o tratamento que a legislação brasileira dá ao aborto.


