Dilma tenta apagar sombra de Lula
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sábado, 09 de abril de 2011
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff completa 100 dias no gabinete do terceiro andar do Planalto sem dar margem a dúvidas sobre a capacidade de controlar o próprio governo. Com palavras ríspidas em conversas reservadas e gestos sutis em público, ela aproveitou a lua de mel e a força de governante em início de mandato para enquadrar aliados, centrais sindicais e empresários e bloquear personalismos.
Dilma chegou ao centésimo dia do governo da primeira mulher presidente do País reforçando seu poder político e impondo a imagem de gestora. O pragmatismo, cultivado em um revezamento nos papéis de técnica e articuladora, serviu para tentar esconder o fato de que, à semelhança dos antecessores, seu governo distribui cargos com o mesmo viés fisiológico de sempre porém sem embaraço - e essa distribuição está longe do fim.
Logo após ser eleita na esteira da popularidade do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicar nomes fortes para o ministério como Antonio Palocci, Dilma deixou claro, em entrevista em novembro, que não aceitaria a fama de rainha da Inglaterra. Quando há o sol bem violento que atinge a cidade, sou a favor de sombra. Mas quanto às demais sombras, não acho que sejam compatíveis, disse ela sobre a hipótese de ter outros líderes no seu encalço.
Foi a relação de Dilma com Lula, no entanto, o que ganhou destaque nas análises sobre a presidente que não conseguiu ser chamada de presidenta fora do círculo de subordinados. O desprezo de Dilma pelas insinuações e a decisão de impor uma marca de governo ficou evidente na visita, mês passado, do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil. Ela convidou ex-presidentes para o almoço no Itamaraty, entre eles o tucano Fernando Henrique Cardoso, alvo contumaz dos ataques de Lula.
O temor de ser comparada ao mito Lula seria um dos motivos de Dilma não ter dado atenção aos insistentes pedidos de aliados de redutos tradicionais do ex-presidente para participar de eventos públicos. Ela tem ignorado o know-how do governo passado em se comunicar e dialogar diretamente com os grotões, por meio de uma rede de aliados.
Um dos segredos do governo é mostrar que, mesmo quando cede a barganhas, Dilma foi quem tomou a decisão final. Exemplo: ela tirou o controle de Furnas das mãos do deputado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ), suspeito de aparelhar a administração do fundo de pensão da elétrica. Mas, em seguida, pôs no comando da estatal Flávio Decat, da sua cota pessoal, ligado à família do senador José Sarney (PMDB-MA) e citado nas gravações da Operação Boi Barrica, da PF.


