Dilma sobre impeachment: não tenho nada a temer
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segunda-feira, 25 de maio de 2015
Agência Estado 
Em entrevista ao jornal mexicano "La Jornada", publicada neste domingo, a presidente Dilma Rousseff afirmou que pedidos de impeachment contra ela são "sem base real" e que ela "não tem nada a temer". A presidente falou também dos escândalos da Petrobrás, reiterando que eles foram provocados por apenas quatro dos 90 mil empregados.
Destacou, no entanto, que a Petrobrás "é tão importante para o Brasil como a Seleção". Para ela, "se a Seleção Brasileira é a pátria de chuteiras, a Petrobras é a pátria com as mãos sujas de óleo".
Ao rechaçar a bandeira do impeachment contra ela, depois de lembrar que os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso também sofreram esta pressão, a presidente disse que "não tem temor disso" porque "responde pelos seus atos". Dilma repudiou, no entanto, qualquer tipo de comparação com o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que sofreu processo e foi afastado. "Ele foi tirado", lembrou.
Na opinião de Dilma, qualquer tipo de pedido de impeachment contra ela "tem um caráter muito mais de luta política". E emendou: "ou seja, é muito mais esgrimido como uma arma política, não é? Uma espécie de espada política, mistura de espada e de dama que querem impor ao Brasil". E completou: "agora, a mim não atemorizam com isso".
Ao falar do escândal que envolve casos de corrupção na Petrobrás, a presidente voltou a responsabilizar apenas alguns funcionários pelos mal-feitos. "A Petrobras tem 90 mil funcionários, quatro funcionários foram e estão sendo acusados de, muito provavelmente, ninguém pode falar antes de serem condenados, mas todos os indícios são no sentido de que são responsáveis pelo processo de corrupção".
A presidente embarca nesta segunda-feira para a cidade do México em uma visita de Estado de dois dias, na tentativa de ampliar o comércio entre os dois países e atrair empresas mexicanas para o Brasil. Dilma falou, ainda, da importância do acordo automotivo entre os dois países, ressaltando que ele mostra que "é possível fazer um acordo e os dois países ganharem".
Na entrevista, concedida na última sexta-feira, a presidente Dilma assegurou que não haverá mudanças no regime de de partilha para exploração do pré-sal. Questionada sobre um eventual "risco zero" de voltar ao velho modelo de concessão, a presidente respondeu: "eu acho que não é zero. Enquanto eu estiver na Presidência, é menos mil, não é zero, é diferente esse risco. O modelo de partilha é um modelo baseado nas melhores práticas internacionais". Para ela, "quem achar que o modelo de partilha é algo ideológico está equivocado. O modelo de partilha é a defesa dos interesses econômicos da população deste país, que é dona das suas riquezas naturais, em especial do petróleo".
Dilma defendeu o financiamento do BNDES para a construção do Porto de Mariel, em Cuba. Em sua fala, deixou claro, mais uma vez, que o banco seguiu uma orientação de governo e não agiu por conta própria. "Não há como o BNDES financiar sem cumprir a política. Nós achamos que o processo de evolução das relações democráticas em Cuba passa por apostar na abertura, passa por apostar no investimento lá, passa por apostar nessa relação comercial entre Estados Unidos e Cuba", comentou.
A presidente falou, ainda, sobre as relações com os Estados Unidos, onde estará com Barack Obama em julho. Dilma disse que acredita que viverá, "um novo momento", apesar dos problemas gerados pelas denúncias de espionagem da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA) contra o governo brasileiro, classificando este tema como encerrado.
"O passado é o seguinte, não foi esquecido, tanto é que foi registrado", comentou, acrescentando que "a compreensão é que o governo Obama, nas suas atribuições, tomou as providências cabíveis, do que fizeram anteriormente. É essa a nossa convicção".


