Dilma quer 'revolução' na Casa Civil
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sábado, 25 de junho de 2005
Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, planeja uma verdadeira revolução na pasta que já foi a mais poderosa do governo Lula. Dilma pretende enxugar a estrutura herdada de seu antecessor, apressando o fim dos grupos de trabalho em andamento e reduzindo as atribuições da pasta que foram muito ampliadas durante a passagem de José Dirceu pelo Palácio do Planalto. A ministra e sua equipe ficaram impressionados com a grandiosidade da estrutura montada na Casa Civil e a comparam a um polvo, com ramificações em todas as áreas possíveis.
O alvo prioritário de Dilma são mesmo os mais de 30 grupos de trabalho em funcionamento no Planalto, conhecidos como GTs. ''O que vou fazer é acelerar a morte natural desses grupos'', disse a ministra à reportagem. Na sexta-feira, dois dias depois de assumir o cargo, a ministra deu mostras de como será sua atuação. Encerrou o trabalho de um dos GTs: o que estudava a quebra de patente de um dos medicamentos usados contra a aids.
Dilma contou como vão funcionar esses grupos a partir de agora. ''O GT terá um projeto, cumprirá o projeto e se dissolverá, acabará, como este que acabou'', disse, ao anunciar que vai estabelecer um calendário rigoroso para que vários dos grupos já instalados apresentem resultados. ''O que nós vamos fazer aqui é ver quais são os grupos de trabalho. Para os de vida curta, vamos dar um prazo para finalizar o projeto. Os de vida mais longa, vamos acompanhar e criar um cronograma mais específico para eles concluírem seus trabalhos.''
Ao falar publicamente da herança deixada por seu antecessor, Dilma é cautelosa. Indagada pela reportagem se tinha se surpreendido com o tamanho da estrutura da Casa Civil, ela respondeu que não, mas fez uma ressalva: ''Acho que sempre pode melhorar''. Nos bastidores, ela trata de preparar a saída dos assessores mais identificados com Dirceu, entre eles o secretário-executivo Swedenberger Barbosa e o subchefe de Assuntos Jurídicos, José Antônio Toffoli.
O processo de enxugamento elaborado por Dilma prevê que sairão da Casa Civil as atividades consideradas de caráter eminentemente político. A primeira delas será a coordenação das nomeações para os postos de confiança na administração federal os cargos de assessoramento superior, conhecidos pela sigla DAS. Nos tempos de Dirceu, essa atribuição permitiu à Casa Civil assumir a linha de frente da negociação do Planalto com os partidos aliados.
Dilma também não quer a tarefa de lidar com deputados e senadores no dia-a-dia, com a justificativa de que ''isso tem mais a ver com articulação política''. Ela, aliás, tem sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a reforma ministerial preserve a Secretaria de Coordenação Política, que ficaria encarregada de cuidar da liberação de recursos para atender às emendas feitas por parlamentares ao Orçamento da União.
Sob o comando de Dilma, a preocupação principal da Casa Civil será ''aumentar o grau de eficiência da máquina''.


