Brasília - Em mais um esforço para responder ao barulho da "voz das ruas", a presidente Dilma Rousseff decidiu fazer reunião com governadores, prefeitos, secretários de Transporte e prestadores de serviço para discutir a planilha de cálculo das tarifas de ônibus. Ao discursar ontem em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a presidente afirmou que alguns veículos de transporte público, de má qualidade, tratam os passageiros como "sardinha".
Dilma disse que o governo estava "tão preocupado" com o transporte urbano que decidiu desonerar a folha das empresas de transporte e reduzir o PIS/Cofins antes mesmo das manifestações. "Isso contribuiu para uma redução de 7,23% das tarifas, o que permitiu uma redução dos atritos por transporte de má qualidade, extremamente apertados, como sardinha, e com uma frequência não tão adequada em várias partes do nosso País", disse Dilma.
Segundo a reportagem apurou, a reunião deverá ocorrer na semana que vem. "Estamos convocando uma reunião ampla, uma reunião com todos aqueles, os prefeitos, os governadores, os movimentos sociais, a Frente Nacional de Prefeitos, o Fórum Nacional de Secretários de Transporte, setores da academia, prestadores de serviço de transporte, trabalhadores do setor, enfim, uma ampla reunião, e na pauta dessa reunião está a planilha de cálculo das tarifas", antecipou Dilma.
Numa demonstração de que o governo está tentando afinar o discurso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que qualquer ato que o governo venha a fazer em relação ao transporte urbano tem que vir acompanhado de redução de gastos em outra área. Ao ser questionado se o corte que será feito no orçamento é importante para a credibilidade da economia, Mantega respondeu que a presidente Dilma Rousseff estabeleceu cinco pontos e um deles é a estabilidade fiscal.
A mobilidade urbana integra um dos pactos lançados pela presidente em reunião com governadores e prefeitos, no mês passado, como forma de responder às reivindicações dos protestos. Na ocasião, a presidente anunciou que o Planalto estaria disposto a colocar mais R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras de mobilidade urbana.

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