Brasília - O governo Dilma quer o socorro do Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar novos conflitos entre índios e fazendeiros, que se alastram pelo País e põem a administração petista na berlinda. Um dia após anunciar que haveria novo modelo de demarcação de terras indígenas, o governo promoveu um recuo tático e, na tentativa de evitar mais acirramento, negou o esvaziamento da Funai. A expectativa do Palácio do Planalto é que o Supremo dê o veredicto final sobre a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol o mais rápido possível.
A falta de uma sentença definitiva do Supremo no julgamento da ação que contestou a demarcação dessa área, em Roraima, é vista pelo Palácio do Planalto como um "incentivador" dos novos confrontos envolvendo índios, desta vez no Mato Grosso do Sul. Em conversas reservadas, ministros dizem que, enquanto o impasse envolvendo Raposa Serra do Sol não se resolver, o governo fica de mãos atadas, por não haver um parâmetro para as decisões.
O anúncio de que o governo prepara um novo modelo de demarcações de terras, retirando a exclusividade da Funai nas decisões, provocou tantas reações dos índios - incluindo a invasão da sede do PT paranaense, em Curitiba.
A preocupação de Dilma com as ocupações promovidas por índios e com a atuação da Polícia Federal no episódio ficou evidente em uma série de reuniões, desde sexta-feira. Na noite de ontem, Dilma chamou ao Planalto o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para cobrar soluções mais rápidas. Antes, Cardozo conversou com o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa.
"Nossa ideia é buscar o diálogo, a pacificação. Não é com radicalismo, não é tentando apagar a fogueira com álcool que vamos resolver o problema do Mato Grosso do Sul", resumiu o ministro da Justiça, que negou ter tratado do impasse com Barbosa.

Baleado
Cinco dias após a morte de um índio em Sidrolândia (MS), o terena Josiel Gabriel Alves, de 34 anos, foi ontem baleado nas costas quando estava na área da Fazenda São Sebastião. A propriedade é uma das áreas reivindicadas pelos índios em protesto contra a morte de Oziel Gabriel, de 35 anos, na quinta-feira.
O tiro que atingiu Josiel - que é primo de Oziel - partiu de uma caminhonete prata, por volta das 17 horas, segundo testemunhas. Ele recebeu os primeiros socorros no hospital de Sidrolândia e foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. De acordo com o médico Newton Renato Couto, Josiel não apresentava movimentos nas pernas, mas não corria risco de morrer. A bala ficou alojada na altura da clavícula, próxima à coluna vertebral.
A Polícia Federal foi acionada e vai apurar o episódio. Outros quatro índios estavam com Josiel na hora do ataque - dois estavam desaparecidos até as 21 horas de ontem.

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