Brasília - A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem aqueles que "morreram e desapareceram" na luta contra o regime e também "pactos" conseguidos por meio de negociações com o governo autoritário da época, em uma referência aos 50 anos do golpe militar. Dilma participou no Palácio do Planalto da assinatura de contrato para execução das obras da segunda ponte do rio Guaíba, em Porto Alegre. Em cerimônia fechada a jornalistas, defendeu a liberdade de imprensa e as eleições diretas e homenageou os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva - ambos perseguidos políticos na época do regime militar.
"Cinquenta anos atrás, na noite de hoje, o Brasil deixou de ser um país de instituições ativas, independentes e democráticas. Por 21 anos, nossas instituições, nossa liberdade, nossos sonhos foram cassados", disse a presidente. "Nós conquistamos a democracia à nossa maneira, por meio de lutas e sacrifícios humanos irreparáveis, mas também por meio de pactos políticos", disse em seu discurso. "Assim como respeito e valorizo (quem lutou pela democracia) enfrentando a truculência do Estado - e nunca deixarei de enaltecer -, também reconheço e valorizo os pactos políticos que levaram à democratização", disse. "Aprendemos o valor da liberdade, o valor de um Legislativo e de um Judiciário independentes. O valor da liberdade de imprensa, o valor de eleger no voto direto e secreto (...), de eleger um exilado, um líder sindical que foi preso várias vezes e uma mulher também que foi prisioneira. Aprendemos o valor de ir às ruas", continuou.
"Como eu disse, neste palácio, repito há quase dois anos atrás quando instalamos a Comissão da Verdade: se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, nunca, nunca pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la", completou a presidente.

Pedido de desculpas
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pediu desculpas ontem pelas violências e crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar (1964-1985). O pedido de desculpas ocorreu durante ato público sobre os 50 anos do golpe militar realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília.
"O ministro da Justiça tem o dever de pedir desculpas pelo arbítrio, pelo abuso, e assegurar que a memória daqueles que foram ofendidos seja restaurada e resgatada", disse Cardozo.
"Durante muito tempo os ministros da Justiça diziam que não tinham nada a declarar e hoje o ministro da Justiça dizer em nome do Estado brasileiro, do povo brasileiro, que pede desculpas por aquilo que foi feito na época da ditadura, pelas mortes, pelas torturas, pelas famílias que choraram é algo que mostra um novo tempo, uma realidade democrática que nós temos hoje orgulho de ter conquistado", afirmou.
O ato chegou a ser interrompido durante alguns minutos por um manifestante favorável à ditadura militar, que disse discordar do ato e entregou um documento à OAB sobre o assunto. Apesar de o manifestante ter sido recebido com protestos, o presidente da OAB Marcus Vinícius Furtado Coêlho defendeu seu direito de falar.

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