Dilma inicia campanha à sucessão
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, inicia sua campanha à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 dias. Sem a presença do seu padrinho - que ainda não fez o convite oficialmente, mas já espalhou para meio mundo que a candidata é ela -, Dilma acionará no dia 6 a perfuradora que cavará o túnel para a extensão do metrô entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Manterá o périplo, também sem a presença de Lula, em inaugurações ao longo do ano de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual é a comandante. Ela segue um conselho de Lula: ''Torne-se mais conhecida.''
A ideia de Dilma, de fazer inaugurações sem a presença de Lula, porém, não é só dela. Como Lula ainda não fez o convite oficialmente, os ministros da Educação, Fernando Haddad, e do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, guardam alguma esperança de que o presidente lhes dê uma chance de entrar na disputa. Haddad, por exemplo, montou um cronograma de inauguração de escolas técnicas federais este ano. Serão 89 estabelecimentos no Nordeste, 19 no Sudeste, 16 no Sul, 12 no Norte e nove no Centro-Oeste.
Se a condição de reserva da preferida não der resultado, Haddad tem um plano B - a candidatura ao governo de São Paulo, pretensão à qual tem sido incentivado pelo presidente Lula. Um ministro que costuma ouvir do presidente Lula palavras em defesa da candidatura de Dilma, confirmou que ela é, de fato, a favorita, embora não tenha mesmo recebido o convite pessoalmente. E que Lula sonha com as candidaturas de Haddad ao governo de São Paulo e de Patrus ao governo de Minas Gerais.
O ministro Patrus, no entanto, considera que tem cartas para mostrar. Deverá fazer uma ampliação do programa Bolsa-Família nos próximos meses, com adaptações cadastrais que poderão elevar para cerca de 13 milhões o número de famílias atendidas. Atualmente, são 11 milhões as famílias beneficiadas. Também são atendidas pelo programa as famílias de 1.156.958 adolescentes.
Num encontro sobre segurança alimentar que começou ontem, em Madri, e continua hoje, Patrus vendeu o Bolsa-Família por lá como um dos mais fantásticos programas de combate à fome em todo o mundo. Ele repetiu o que tem dito em suas viagens pelo Brasil, sempre à frente do Bolsa-Família. Numa entrevista ao Estado, no mês passado, Patrus comentou, a respeito dos resultados eleitorais do Bolsa-Família. ''Bons programas rendem bons votos.''
De acordo com as declarações de Patrus, em Madri, os programas sociais brasileiros estão diminuindo a desnutrição e a desigualdade e mudando a realidade das famílias no Brasil. ''Está na hora do mundo, como fez América Latina e Caribe, assumir esse compromisso explícito de erradicar a fome e agir energeticamente para alcançá-lo, traduzindo em ações e recursos efetivos'', disse Patrus.
Patrus está na Espanha representando o presidente Lula. ''Dou meu apoio pessoal e o do governo brasileiro à convocação de uma nova uma Cúpula Mundial de Chefes de Estado e de Governo sobre Segurança Alimentar, neste ano. Queremos uma cúpula com compromissos explícitos, acompanhamentos periódicos, metas e objetivos claros'', afirmou o ministro. O economista Jeffrey Sachs, diretor da ONU para os acordos internacionais dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, também participou da reunião.


