Dilma garante que Graça está 'prestigiada' na Petrobras
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Natuza Nery e Mariana Haubert<br>Folhapress 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que não está "pretendendo alterar a diretoria da Petrobras", mas trocará o Conselho de Administração da estatal, sem dar detalhes dos nomes que indicará. Dilma disse achar "absurdo" o alto montante de dinheiro desviado por alguns funcionários da empresa.
Em café da manhã de final de ano com jornalistas, Dilma voltou a fazer uma enfática defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster, e afirmou que as empreiteiras imputadas pela Operação Lava Jato devem ser punidas, mas não "destruídas". A punição vale também para os executivos envolvidos. "Eu conheço a Graça. Sei da seriedade da Graça e da lisura dela", disse, reconhecendo, porém, que há "um clima muito difícil para ela".
Em entrevista exibida no último domingo, pelo programa "Fantástico" da TV Globo, a ex-gerente-executiva da Diretoria de Abastecimento da Petrobras Venina Velosa da Fonseca disse que informou "a todas as pessoas que podiam fazer algo" sobre irregularidades verificadas por ela. Venina também afirmou que registrou suspeitas por e-mail, e discutiu pessoalmente o assunto com a atual presidente da estatal, Graça Foster, quando a executiva máxima da companhia era diretora de Gás e Energia.
Dilma afirmou não ver nenhuma falta de credibilidade da presidente da Petrobras, ao contrário do que considera o mercado financeiro e investidores nacionais e internacionais. Apesar das declarações da presidente, integrantes do próprio governo afirmam que a saída da executiva é iminente e deve se dar no ano que vem. Questionada sobre possíveis nomes para substituí-la, a petista classificou-se como "perplexa" com as especulações de que busca um nome de mercado para o posto. A presidente confirmou que Graça Foster colocou o cargo à disposição em mais de uma oportunidade.
A presidente afirmou que sem saber o teor das delações premiadas não há como o balanço da empresa ser lançado. Ela contou que já pediu ao Ministério Público informações sobre as delações para que possa informar o tamanho dos desvios, exigência para que o balanço possa ser auditado. "Ele (Ministério Público) não pode demorar anos sob pena de comprometer o país", disse. "Eu não acho que vai demorar", completou. "Não vamos compactuar com qualquer processo de enfraquecimento da Petrobras. Ela tem um caixa que permite a ela passar esse ano sem recorrer ao mercado. [(...) É importante que se saiba todo o teor das delações premiadas porque não vamos saber o que foi tirado dos cofres. A gente precisa dar baixa, tem que lançar como prejuízo", disse. (Com Agência Estado)


