Brasília - Em cerimônia pouco concorrida politicamente, mas que deixou claro o forte espírito de corpo que move o Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff empossou o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, como novo ministro das Relações Exteriores, em substituição a Antônio Patriota, que deixou o cargo depois de ser responsabilizado pela fuga da embaixada brasileira em La Paz do senador boliviano Roger Pinto Molina. Em rápido discurso, a presidente Dilma evitou citar diretamente o episódio que levou à queda de Patriota, mas ressaltou que o Brasil não interfere na vida dos outros países e que só aprovamos "ações excepcionais em defesa da preservação de vidas humanas". Patriota, no entanto, foi mais claro ao dizer que episódios como este da quebra de hierarquia não podem voltar a acontecer e foi aplaudido por quase um minuto, de pé, pelos diplomatas.
Dilma fez questão de exaltar as boas relações que mantém e quer continuar mantendo com os países vizinhos aos quais se refere como "12 países irmãos latino-americanos", lembrando que todos são "iguais em direitos e merecedores do mesmo respeito". Depois de salientar que a "maior de nossas prioridades é a integração regional, principalmente com nossos vizinhos da América do Sul", Dilma disse que as conquistas obtidas pelo Brasil nos últimos anos, com as nomeações de brasileiros para importantes organismos internacionais e a maior projeção do País, "são frutos da coerência e da consistência de nossos princípios" e avisou que "acredita no multilateralismo como forma de construir consensos estáveis".
Em seguida, passou a listar princípios que considera fundamentais para a política externa brasileira: "não interferimos na vida dos outros países; não colocamos a vida de quem quer que seja, em risco, cidadãos brasileiros ou de qualquer nacionalidade, adotamos rigoroso conceito de não-intervenção e só aprovamos ações excepcionais em defesa da preservação de vidas humanas, se passarem pelo devido escrutínio e se tiverem o amparo da ONU; defendemos soluções negociadas para crises externas e internas; propugnamos pelo respeito e soberania de todos os povos; postulamos a democracia como saída para as crises políticas; perseguimos a prática de relações comerciais justas e éticas".
A afirmação de Dilma que defende soluções negociadas para crises externas e internas soou como um recado para a Bolívia, que enfrenta um novo problema nas relações com o Brasil e aguarda acenos da presidente de como ficarão as relações entre os dois países, depois de mais um episódio, agora por causa da fuga do senador boliviano, depois de tantos outros. O Brasil reconhece o erro do diplomata ao retirar o senador da Bolívia, mas também internamente repudia a demora de Morales em conceder um salvo-conduto ao senador Molina, que acabou levando a esta situação extrema. Mas Dilma fez questão de dizer ainda que "o alicerce de nossa política externa é a relação harmônica e respeitosa a nossos irmãos latino-americanos". E emendou falando do "orgulho" que tem do Mercosul, da Unasul e da Celac.

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