Porto Alegre - A presidente Dilma Rousseff endureceu ontem a posição do governo na negociação do novo valor do salário mínimo ao afirmar que a oferta mantida pelo Planalto é de R$ 545. As centrais sindicais exigem R$ 580. A presidente respondeu ontem pela primeira vez a jornalistas sobre o tema.
Segundo ela, ''não é correta'' a tentativa de colocar na mesa de negociações um possível reajuste na tabela do Imposto de Renda na Fonte. ''Nós não achamos correto a discussão simultânea da questão da tabela e do salário mínimo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra'', disse, repetindo o que já havia dito Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) após reunião com as centrais sindicais.
Após a entrevista de Dilma em Porto Alegre, a Força Sindical disse que reagirá ao ''jogo-duro'' do Planalto. Dilma optou por uma posição de endurecimento depois que integrantes do governo admitiram que o Planalto poderia ceder e chegar a oferecer R$ 550 para o mínimo, combinado a um reajuste na tabela do IR.
A estratégia do governo era deixar o início das negociações para o Congresso, começando as conversas com o valor de R$ 545, mas aceitando elevar para R$ 550 desde que o aumento real fosse descontado do que será concedido em 2012.
O temor do governo é concordar oficialmente com o valor do mínimo de R$ 550 desde já, reduzindo margem para fazer uma eventual concessão política mais à frente aos sindicalistas em votação no Congresso, que precisa aprovar a medida provisória sobre o tema.

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