São Paulo - Dilma Rousseff (PT), 62, e José Serra (PSDB), 68, vão disputar o segundo turno da eleição presidencial em 31 de outubro. A candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu votos nos últimos dias da campanha eleitoral e ficava a 3,9 pontos de uma vitória no primeiro turno, com 93% das urnas apuradas. Até as 21h20, tinha 46,1%.
  O tucano se recuperou principalmente em suas bases eleitorais, como São Paulo, e recebeu 33%, quase dez pontos a mais que os 23,2% obtidos por ele em 2002.
  A candidata do PV, Marina Silva, também surpreendeu na reta final e chegou a 19,7%, desempenho que foi fundamental para levar a disputa à segunda etapa.
  A candidata escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou dois escândalos no último mês da campanha: a quebra de sigilos de pessoas ligadas ao PSDB e a revelação de um esquema de facilitação de interesses privados montado na Casa Civil, que no dia 16 de setembro derrubou a ministra Erenice Guerra, ex-braço direito de Dilma no governo.
  A petista sofreu também rejeição de parte dos eleitores evangélicos e católicos por conta de boatos sobre sua fé e de controvérsia sobre sua posição em relação ao aborto. Em 2007, se declarou a favor da descriminalização e agora afirma ser pessoalmente contra o aborto.
  O principal espólio a ser disputado entre Dilma e Serra são os votos de Marina, que recebeu o apoio de cerca de 25 milhões de eleitores. Ela deve ficar neutra na disputa, mas seu partido estuda apoiar Serra.
  O Datafolha mostrou na semana passada que 51% dos eleitores da candidata verde se dizem inclinados a votar em Serra no segundo turno.
  Dilma receberia o apoio de 31%, e outros 15% dizem que votariam em branco ou anulariam o voto -3% não haviam decidido o que fazer.
Efeito Tiririca
  No Congresso, a oposição, alavancada por uma expressiva votação no cinturão centro-sul do país, conseguiu manter seu patrimônio eleitoral. Apesar disso, lideranças tradicionais de DEM e PSDB perderam a eleição.
  O deputado mais votado do país foi Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca (PR-SP). Com 92% das urnas de São Paulo apuradas, tinha 1,238 milhão de votos, número próximo ao recorde nacional, que é de Enéas Carneiro - 1,57 milhão de votos em 2002. Logo atrás no ranking vinham o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (RJ), com 652 mil votos (96% das urnas apuradas), e Gabriel Chalita (PSB-SP), com 525 mil.

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