Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proibiu ontem a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), de subir em palanques de candidatos no primeiro turno das eleições municipais. A ministra reclamou, alegando ter vários convites para participar de campanhas, mas não convenceu. ''Melhor não'', disse Lula. Na avaliação do Planalto, Dilma precisa se preservar por ser o primeiro alvo da oposição para atingir o governo. A estratégia para blindar a mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) tem ingrediente adicional: Dilma é, até agora, a favorita do presidente para concorrer à sua própria sucessão, em 2010.
Apesar de garantir que ficaria fora dos palanques na primeira rodada das eleições, para não melindrar a enxurrada de postulantes da base aliada, Lula aparecerá na campanha de dois ex-ministros petistas de seu governo: Marta Suplicy, em São Paulo, e Luiz Marinho, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
O governo entende que a vitória de Marta no maior colégio eleitoral do País é prioritária para o plano petista de retomar a Presidência, daqui a dois anos e meio. Na conversa de ontem com Dilma, Lula abriu uma única exceção: autorizou a participação da chefe da Casa Civil em disputas no Rio Grande do Sul, Estado onde ela construiu sua carreira política.
Na prática, o governo teme que a presença de Dilma nos palanques atice o PSDB e o DEM e ressuscite escândalos, como o caso do dossiê produzido na Casa Civil com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos e as denúncias da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu.
Articulador político do governo, frequentemente escalado para apagar incêndios na coalizão, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB), também não aparecerá em comícios, restringindo sua participação a disputas em Pernambuco, seu Estado natal. Com exceção de Dilma e de Múcio, todos os outros ministros foram liberados por Lula para viajar nos fins de semana e apoiar os candidatos que bem entenderem.

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