Brasília - Com a queda de Antonio Palocci, a presidente Dilma Rousseff e a nova ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, farão uma dobradinha provisória na articulação política. A partir de agora, Dilma reservará boa parte da agenda para encontros e conversas com deputados e senadores. É a alternativa que a presidente encontrou diante da falta de nomes para comandar a Secretaria de Relações Institucionais, pasta que formalmente tem a responsabilidade de fazer a articulação, disseram assessores do Planalto.
O ministro Luiz Sérgio, que chefia a Secretaria de Relações Institucionais, não conseguiu se fortalecer no cargo. A presença no governo de Antonio Palocci, que negociava com governadores e lideranças do Congresso, tirava o foco da secretaria. Luiz Sérgio sempre foi considerado por Dilma Rousseff como um ministro sem influência. Até o início da noite de ontem, a demissão de Luiz Sérgio não era confirmada pelo gabinete da presidente.
Dilma estava disposta a manter, por mais um tempo, Luiz Sérgio na pasta. Ao escolher a senadora Gleisi Hoffmann para substituir Palocci, a presidente optou por uma mudança menos drástica de cadeiras de ministros, limitando-se à troca na Casa Civil.
A presidente avalia que Gleisi Hoffmann é uma mulher hábil e de iniciativa, que poderá desempenhar o papel de gestora e, ao mesmo tempo, de articuladora, disseram assessores do governo. Embora não tenha experiência política, Gleisi Hoffmann é vista por Dilma como uma senadora que conseguiu, em menos de seis meses no Legislativo, entender os ''caminhos'' do Senado. A auxiliares diretos, Dilma ressaltou que, até agora, esteve envolvida em questões técnicas e internas do governo. Ela pretende, agora, se dedicar às conversas com parlamentares.
A presidente terá que escolher, nos próximos dias, o novo líder do governo no Congresso. A função é desempenhada provisoriamente pelo deputado Gilmar Machado (PT-MG). Dilma reconhece que enfrenta problemas com seus líderes na Câmara e no Senado. Anteontem, ela observou que a liderança no Senado, por exemplo, exercida por Romero Jucá (PMDB-RR), não evitou que mais de 20 senadores assinassem o requerimento pedindo a instalação de uma CPI para investigar o suposto enriquecimento ilícito de Palocci.

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