'Dilma do Meio Ambiente' sai em defesa de Carlos Minc
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sábado, 06 de junho de 2009
Lígia Formenti<br>Agência Estado 
Brasília - Ao longo de uma hora de entrevista, na última quinta-feira, ela repetiu sem parar uma palavra: diálogo. E emendava: ''O Ministério do Meio Ambiente não é contra o desenvolvimento''. Izabella Teixeira, secretária executiva da Pasta do ministro Carlos Minc, faz profissão de fé na negociação, mas não aceita que o meio ambiente seja alvo de ''atropelos'' de quem não entende que o mundo está caminhando para um ''capitalismo do carbono''. Repele a ideia de que esteja fazendo política ''entreguista'', como criticam alguns militantes, e diz que há ''diálogo em todos os pontos críticos''.
Izabella, nascida em Brasília, é funcionária de carreira do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Nas reuniões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que coordena na ausência de Minc, não raro cobra pontualidade, celulares no modo silencioso e até o bom português. Um comportamento duro, que já lhe rendeu o apelido de ''Dilma do Meio Ambiente''. A seguir, os principais pontos da entrevista:
Recentemente foram feitas mudanças em textos de medidas provisórias relacionadas a temas importantes para o Ministério do Meio Ambiente: análise ambiental e regularização fundiária na Amazônia Legal. Ao mesmo tempo, há a apresentação da proposta de um novo Código Ambiental. Que ofensiva é essa?
Acho apropriado que na sociedade democrática segmentos insatisfeitos manifestem sua opinião. O que acho pouco produtivo é não ter mesa para o diálogo. Tal comportamento é profundamente desalinhado com o momento atual, em que o Brasil consolida seu papel estratégico no debate da questão ambiental. E, principalmente, em um momento que o planeta todo discute um novo modelo de economia, um modelo que chamo de capitalismo de dois ''cês'': capitalismo do carbono. O que impressiona é que, diante desse quadro, pessoas queiram discutir meio ambiente como algo restritivo ao desenvolvimento. Acho esse debate extremamente extemporâneo, um discurso de 30 anos atrás. Mas no caso do Código Florestal, por exemplo, estamos discutindo floresta ou ocupação da terra para uso agrícola?
Na sua avaliação, qual é o foco?
O Brasil tem mais de 40 milhões de hectares de área degradada. Mesmo assim, há a tendência de se discutir a necessidade de terra para a produção agrícola. A pergunta que se faz é: o Código Florestal é tão restritivo assim? As leis ambientais são tão restritivas assim? Ou a abordagem política de incremento da produtividade agrícola e de novas áreas da agricultura precisam ser mais bem debatidas com a sociedade? Estamos abertos ao diálogo.
É o caso do Código Ambiental?
Há um movimento no Congresso que entende que, para avançarmos na área de meio ambiente, é preciso criar um código ambiental que simplifique e elimine conquistas que a sociedade brasileira estabeleceu. A sensação que se tem é de que nós, do meio ambiente, legislamos sozinhos. Pelo que sei, todas as leis ambientais foram aprovadas pelo Congresso.
A bancada ruralista diz que há exageros na legislação em vigor.
Não é mudando lei de cima para baixo que se vai avançar numa situação. É possível fazer correções, mas o meio ambiente não é uma questão que se atropela.
A senhora imaginava enfrentar tantas resistências?
Nessa magnitude não. As divergências sempre existem. Mas a temperatura está muito alta. Há um passivo associado a situações específicas em determinados Estados e regiões, no próprio Ibama. A sensação é de que ninguém quer gastar, investir e ficar refém. As pessoas temem que passe a vigorar cultura mais ortodoxa em torno da questão ambiental.
Isso ocorre em que setores?
No setor agrícola, no de transportes. Todos os setores acham que isso é uma bobagem.
Entre os ambientalistas há a visão de que a gestão do ministro Minc é entreguista.
Não é verdade. É fácil dizer que é entreguista. E o oposto, o que é? É não fazer nada? Nós (no Ministério do Meio Ambiente) dizemos o que dá para fazer e o que não dá para fazer. Com toda a objetividade. Assuntos não são engavetados, essa é a diferença. Na minha mesa não tem nenhum assunto parado. Não é uma mesa com pilhas ou com gavetas. Falar que é entreguismo é não querer ter uma agenda de movimento sustentável.


