Curitiba - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou, ontem, que as informações sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, Ruth Cardoso, contenham irregularidades. ‘‘São dados que foram auditados pelo Tribunal de Contas da União (TCU)’’, declarou. ‘‘É a escandalização do nada. Não há nada de desabonador nas informações que vazaram do banco de dados’’, defendeu. Segundo ela, os dados divulgados pela revista Veja integram informações do sistema oficial de controle de despesas com suprimentos do governo (Suprim), que teria sido criado a pedido do TCU.
  ‘‘Desenvolvemos o sistema porque o Tribunal fez uma crítica pública à forma como eram apresentados os dados antes’’, disse. ‘‘Disseram que as informações eram dispersas, volumosas e desorganizadas’’. Dilma afirmou que, a princípio, o sistema foi alimentado com informações do próprio governo Lula a partir de 2005. A inserção dos dados dos anos anteriores teria sido realizada só depois de 2006.
  Dilma admitiu que a criação do banco de dados foi liderada pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra. Na sexta-feira, o ex-presidente Fernando Henrique declarou que esperava que Dilma demitisse o responsável pela elaboração do dossiê.
  Já a ministra minimizou o impacto das informações divulgadas pela imprensa e defendeu que os gastos da ex-primeira dama revelados pela imprensa ‘‘são condizentes com o nível de atendimento social da presidência’’, em uma referência aos valores dispendidos com a compra de bebidas e peixes caros. A Casa Civil abriu uma sindicância para apurar como as informações vazaram. ‘‘O crime está nesse vazamento. Porque são informações sigilosas que dizem respeito a segurança da presidência e das pessoas envolvidas nessa segurança’’, defendeu.
  Para Dilma, a divulgação dos dados do suposto dossiê não interessaria ao governo. ‘‘Inventaram uma disputa política na questão dos cartões corporativos’’, acusou. A ministra criticou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar o uso dos cartões. ‘‘Uma CPI tem que ter um objeto relevante’’, disse. ‘‘Das contas do governo, essa é a menor’’, completou.
  Também informou que não vai depor na comissão, uma vez que sua convocação não foi aprovada. ‘‘Prefiro gastar as horas que tenho no Planalto me dedicando ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)’’, declarou. Ao ser questionada se o dossiê poderia ser uma tentativa de esvaziar sua candidatura à presidência em 2010, Dilma se esquivou. ‘‘Não sou candidata’’, afirmou. ‘‘É uma tentativa de tornar negativa uma ação que tem o objetivo de transformar a máquina pública. Porque o Suprim é uma medida de redução de custeio’’, defendeu.

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