Brasília - Em sua primeira reunião ministerial, a presidente Dilma Rousseff determinou à sua equipe fazer cortes em seus orçamentos, começando por gastos de custeio, mas atingindo também os investimentos caso seja necessário para cumprir a meta de superavit primário de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ministros comentaram que serão necessários cortes em investimentos, porque apenas as reduções de custeio não são suficientes para fazer a economia necessária para o pagamento de juros da dívida - o chamado superavit primário.
Nem mesmo o PAC deve ser poupado. Dilma, que foi chamada por Lula de ''mãe do programa'', autorizou que se continue apenas obras em andamento, sem iniciar novas. ''O PAC está preservado dependendo do tamanho do contingenciamento que se deve fazer'', disse ao final do encontro a ministra Miriam Belchior (Planejamento).
A reunião começou por volta das 14h30, com todos os 37 ministros presentes. Em sua fala, Dilma mandou ainda outros recados. Disse que não vai aceitar divergências públicas em sua equipe, citando especificamente a questão do salário mínimo.
Ao final da reunião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) divulgou oficialmente que o governo vai trabalhar para aprovar um mínimo de R$ 545. O valor anterior de R$ 540, definido pelo ex-presidente Lula, foi reajustado com um índice que acabou ficando maior. Por isso os R$ 5 adicionais.
A presidente disse ainda que não vai tolerar desvios éticos. Ela vem insistindo no discurso desde a campanha eleitoral, quando foi atingida pelo escândalo que derrubou Erenice Guerra, sua amiga e sucessora na Casa Civil. A crise da ex-ministra levou a disputa para o segundo turno e chegou a ameaçar a vitória de Dilma.
A presidente afirmou ainda que, para evitar paralisia em seu governo, vai ''contar até três'' quando houver divergências internas entre seus ministros. Explicou o que significa a contagem: o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) fará três reuniões com os ministros para chegar a um consenso. Se não for possível, disse que vai ''arbitrar'' a disputa.
Palocci também falou de cortes e da necessidade de unidade dentro do governo. Segundo ele, haverá espaço para discussão sobre os cortes, mas uma vez decidido será ''ordem unida''. Ou seja, não serão permitidas revisões nem liberações.
Dilma deu prazo até 4 de fevereiro para que os ministros apresentem um plano de cortes. Ela apontou como redução imediata o custo do governo com passagens, alugueis e compra de móveis e equipamentos e informou que ainda não há um volume global a ser cortado. O valor do bloqueio no Orçamento deve superar os R$ 40 bilhões.

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