Brasília - A presidente Dilma Rousseff desistiu de ampliar a coordenação política do governo para incluir um representante do PMDB. Ao menos por enquanto, a ideia é manter fechado o núcleo da coordenação para facilitar a conversa neste período de crise entre PT e PMDB por conta da partilha dos cargos do segundo escalão.
Reunidos ontem com Dilma, o vice-presidente da República, Michel Temer, e os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, avaliaram que o tamanho do núcleo duro do governo é o ideal para resolver os problemas mais graves entre os dois maiores parceiros da aliança. Afinal, o PT está bem representado e o PMDB tem o vice, que é presidente licenciado da legenda.
Dilma chegou a cogitar a presença do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), no grupo da coordenação, que se reúne semanalmente. A avaliação feita ontem, porém, é a de que incluir outro nome do PMDB, agora, seria abrir um precedente para que todos os demais partidos da base aliada - PSB, PDT, PC do B, PP, PR e PTB, entre outros - reivindicassem um assento no fórum. Nesta caso, os ministros e a presidente entenderam que, em vez de se promover uma reunião do núcleo duro, se faria uma assembleia dos governistas.
Outro inconveniente de se ampliar a coordenação, hoje restrita aos chamados ministros da Casa, é que PT e PMDB também não querem discutir seus problemas em público. Para o governo, permitir que os dois maiores partidos da coalizão ''lavem a roupa suja'' diante de outros aliados também não convém, para não alimentar a insatisfação dos demais com a partilha do poder e tumultuar a sucessão na Câmara.
Está nos planos de Dilma, ainda, a formação de outro grupo mais amplo, com a participação de líderes e presidentes de partidos aliados, para discutir assuntos de interesse no Congresso, tal como ocorreu no governo Lula. Esses encontros, no entanto, só vão começar depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado.
A reunião formal da coordenação de governo, prevista para ontem de manhã e cancelada, na prática ocorreu apenas com um grupo mais fechado, que cuida dos litígios entre PMDB e PT. Dilma congelou as nomeações em empresas estatais até que se conclua a sucessão no Congresso, em 1º de fevereiro, exatamente para facilitar as conversas em torno dos postos em disputa.
A tarefa de encontrar uma solução para os impasses foi entregue a Palocci e Temer, com a missão de evitar que o confronto ponha em risco a governabilidade e o acordo para eleger o petista Marco Maia (RS) presidente da Câmara. O que preocupa Dilma é a pauta extensa de interesse do Planalto no Congresso, que vai da votação do novo salário mínimo ao reajuste das aposentadorias, passando pelo novo Código Florestal.

mockup