Dilma defende política de subsídios
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Ana Fernandes<br>Agência Estado 
São Paulo - Ao inaugurar uma obra viária em Recife ontem, a presidente Dilma Rousseff defendeu a política de subsídios que tem sido alvo de críticas. A presidente disse que parte da obra Via Mangue foi feita com financiamento subsidiado pela União, com impacto sobre o orçamento. A estrada recebeu um investimento de R$ 431 milhões. Do total aplicado, 75% dos recursos foram financiados pela Caixa Econômica Federal com subsídios da União. Medida que Dilma fez questão de ressaltar como importante para o Brasil. "Alguns consideram que reduzir os juros para estados e município em grandes obras faz parte de um processo incorreto, nós não. Achamos que é justo e legítimo assegurar financiamentos e manter os subsídios", afirmou a petista.
Na quarta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a política de incentivos e desonerações, chamada de política anticíclica, conduzida por Dilma e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, no primeiro mandato. Lula disse que houve exageros.
Dilma, no entanto, fez um aceno a seu padrinho político. Nos agradecimentos iniciais do discurso, citou Lula entre os pernambucanos importantes para a realização da obra, que começou no governo do ex-presidente. Dilma também citou o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo em 2014 e muito popular no Estado. A plateia respondeu com gritos de "Eduardo, guerreiro do povo brasileiro".
Apesar da defesa da política de subsídios, a presidente repetiu que o Brasil sofre com efeitos da crise econômica internacional e que seu governo pretende reequilibrar as contas públicas. "Estamos enfrentando uma situação instável no mundo, um momento crítico. Nosso objetivo, neste momento, é reequilibrar o orçamento do País, reduzir a inflação e reconstruir a capacidade de investimento público e privado. Vamos fazer isso e estamos fazendo", afirmou.
DEMOCRACIA
Diante de uma plateia dividida entre militantes do PSB e do PT, Dilma pregou unidade e respeito à democracia como saídas para a retomada do crescimento econômico do país. "Essa obra é um exemplo de parceria para o nosso país que envolveu três prefeitos, dois presidentes e dois governadores. Isso é algo fundamental para que uma obra dessa proporção vire realidade", afirmou Dilma.
Sem falar diretamente de impeachment, a presidente defendeu a democracia como "algo virtuoso" para uma sociedade, pois lhe dá a oportunidade de discordar e se manifestar. "Mas isso não nos impede de ter unidade e ação conjunta sobre questões importantes para os brasileiros", disse.
Dilma também aproveitou o evento para exaltar obras e programas que são vitrine de seu governo. Ao cometer um ato falho e chamar a obra viária de "Vila Mangue", emendou uma fala sobre o complexo residencial com esse nome, parte do Minha Casa, Minha Vida. Ela ainda repetiu a promessa e disse estar confiante que o governo vá lançar a terceira fase do programa habitacional ainda neste ano - ao lado do ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), que estava na inauguração.
Dilma falou ainda do Fies, do Prouni e da obra de transposição do Rio São Francisco, que vem desde o governo Lula e sofreu diversos atrasos. Dilma disse que a obra é "fundamental" para Pernambuco e para o Nordeste.
Dilma participou da inauguração da pista leste da Via Mangue, obra viária no sul de Recife, construída com recursos da Prefeitura do Recife e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Também participam da cerimônia o prefeito de Recife, Geraldo Júlio (PSB), o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD). (Colaborou Kleber Nunes/Folhapress)


