Dilma defende ação coordenada contra crise
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de junho de 2012
Kelly Matos e <br> Flávia Foreque Folhapress 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que a retomada do crescimento global não pode depender apenas de ''medidas tomadas pelos países emergentes''. Durante almoço para recepcionar o rei da Espanha, Juan Carlos 1º, no Itamaraty, Dilma defendeu a ''ação coordenada e solidária'' entre todos os ''grandes atores da economia mundial'', em especial os países da Europa.
''A retomada do crescimento em nível global não pode depender apenas de
medidas adotadas pelos países emergentes. Em um momento de crise é fundamentel insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa. Será esta a mensagem que o Brasil levara à próxima cúpula do G20, no México'', afirmou a presidente.
''A afirmação da importância do crescimento econômico e simultaneamente a tomada de medidas na área dos esforços macroeconômicos de estabilidade. Não há incompatibilidade entre as duas, pelo contrário, é necessário o crescimento para que o ajuste não seja feito em detrimento dos interesses dos povos dos países europeus e dos povos de todos os países do mundo'', completou a presidente.
A presidente afirmou ainda que, diante do acirramento da crise e de processos recessivos, o Brasíl está se preparando para ter uma política ''pró-cíclica'' de investimentos. ''Nós temos imensas oportunidades tanto na área de infraestrutura, transportes, energia, telecomunicações, como também na relação associada entre Brasil e Espanha'', disse Dilma.
Discurso do rei
Em seu discurso, o rei da Espanha reconheceu que o bloco europeu enfrenta um problema econômico. ''O mundo afronta hoje uma profunda crise econômica e financeira, que afeta a todos e golpeia com violência os países da União Europeia'', afirmou durante almoço no Itamaraty.
O monarca, entretanto, destacou que seu país mantém esforços para superar essa situação, e defendeu os ''fundamentos sólidos'' da Espanha. ''Meu país tem o empenho e determinação para superar a crise desde a solidez de suas instituições e a excelência de nosso capital humano. (...) A economia espanhola tem fundamentos sólidos: nossa dívida pública é menor do que a de outros países da União Europeia. Nossas contas com o exterior e nossas contas públicas se equilibram com rapidez ao tempo que melhora nossa competitividade.''
O rei Juan Carlos adotou um tom elogioso ao Brasil ao afirmar que o país é hoje uma ''potência do presente'', e disse que os dois países podem trabalhar juntos para lidar com a crise.
Juan Carlos está acompanhado de uma comitiva de empresários com o objetivo de intensificar o relacionamento econômico entre os dois países. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no país, com investimentos da ordem de US$ 85 bilhões no Brasil. Em 2011, a balança comercial (exportações e importações) Brasil-Espanha foi de US$ 7,97 bilhões.
Os dois países também assinaram um protocolo para criação do conselho empresarial Brasil-Espanha. Após o almoço no Itamaraty, o rei Juan Carlos seguiria para o Chile. O monarca, de 74 anos, se acidentou durante uma polêmica viagem a Botsuana para caçar elefantes. Na viagem, a prótese que usava no quadril se deslocou.


