Curitiba - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, defendeu ontem em Curitiba, que as obras que serão realizadas no País como parte da preparação para a Copa de 2014 tenham um regime diferenciado de fiscalização. ''Eu falei disso brincando, mas talvez acabe ficando sério'', declarou. Bernardo defendeu a alteração na fiscalização depois que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, criticou a paralisação de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), anunciado terça-feira.
''Não acho correto que liminarmente se suspenda obras. Porque quando se suspende o que se vê é a criação de um esqueleto'', criticou Dilma. ''São obras paralisadas por 10 anos, 15 anos. Isso acarreta consequências para o custo da obra'', disse. Segundo a ministra há um descompasso entre a fiscalização e a execução das obras. ''Tivemos um desmantelamento no país depois de 1982 que não foi recuperado. A máquina da fiscalização foi fortalecida com isso. Hoje a máquina de fiscalização tem um nível maior que a de executar'', explicou.
Bernardo utilizou como exemplo dos problemas enfrentados nas obras do PAC o caso da Estrada Boiadeira, que faz a ligação entre Dourados (MS) e a região central do Paraná. ''É o caso da Estrada Boiadeira aqui, talvez seja o caso de suspender a licitação e fazer outra. Mas daí vai ficar para o próximo governo, porque nesse não vai mais dar tempo. Faz trinta anos que se tenta fazer e toda vez que a gente mexe aparecem problemas.''
Dilma defendeu uma padronização dos procedimentos adotados em caso de suspeitas de irregularidades. ''Acho conveniente que se tenha um acordo de procedimento para que a gente não tenha maior prejuízo que o necessário'', propôs. A ministra defendeu a importância da fiscalização e disse que se não fosse o caso o governo não teria colocado à disposição da população ferramentas como o Portal da Transparência, nem criado da Controladoria Geral da União (CGU).
''Quem foi capaz de desmantelar a questão da máfia dos sanguessugas foi a CGU, que é um órgão do governo federal'', disse. ''Estou falando que é necessário que haja uma compreensão dos órgãos para que só se paralise as obras em última instância'', completou.
Dilma, o ministro da Previdência, José Pimentel, e Bernardo visitaram no fim da tarde de ontem o Hospital Erasto Gaertner, que é referência no tratamento de pacientes com câncer. A ministra, que recebeu recentemente alta do tratamento que fez para combater um câncer linfático, disse que se emocionou muito com uma criança paciente de câncer do hospital. ''Nesse processo todo que passei tive momentos emocionantes. Se essa situação já é difícil para um adulto, para uma criança vir e dizer que está feliz é muito comovente'', declarou.

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