Brasília - Depois de negociações que se arrastaram por mais de três meses, a presidente Dilma Rousseff (PT) confirmou a troca ontem de três ministros do primeiro escalão do governo federal. A Presidência divulgou nota anunciando a saída de Mendes Ribeiro (Agricultura), Brizola Neto (Trabalho) e Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil). Por ora, a Secretaria de Assuntos Estratégicos será ocupada interinamente pelo secretário-executivo Roger Leal. Isso porque o titular da pasta, Wellington Moreira Franco, assume a Secretaria de Aviação Civil. Para o Trabalho, vai o advogado Manoel Dias, secretário-geral do PDT, e para a Agricultura o deputado federal Antônio Andrade (PMDB-MG).
A reforma de Dilma segue uma lógica eleitoral, na tentativa de assegurar palanques para ela própria e também para aliados do governo nos Estados em 2014. Ministro do Trabalho desde maio do ano passado, Brizola Neto não ficou nem um ano no cargo. Ele cede a vaga na Esplanada para o secretário-geral do PDT, numa vitória de seu principal desafeto político, o presidente nacional do partido e ex-ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
Manoel Dias entra na cota do partido, ao contrário de Brizola Neto, que fazia parte de uma espécie de ''cota pessoal'' de Dilma depois que Lupi deixou a pasta sob suspeita de irregularidades. Ele assumiu o cargo com a missão de unificar o PDT, mas, como não conseguiu apaziguar a guerra interna, Dilma decidiu restabelecer o controle de Lupi sobre a pasta na tentativa de ter a legenda ao seu lado em 2014.
Ontem, Brizola Neto teve uma longa e emocionada conversa com a presidente. Antes, almoçou, tomou banho e fez a barba para falar com Dilma. Segundo assessores próximos, ele avalia que a presidente precisava fazer as mudanças por uma questão eleitoral. De olho nas próximas eleições, Dilma também promoveu uma ''dança das cadeiras'' nas pastas ocupadas pelo PMDB, que ganhou mais um cargo na Esplanada.
O deputado federal Antônio Andrade (PMDB-MG) substitui Mendes Ribeiro na Agricultura. Sem ministério, o PMDB mineiro ameaçava migrar para o grupo que apoia o senador tucano Aécio Neves, potencial candidato da oposição à Presidência.
Com a escolha do peemedebista para a Agricultura, Dilma não apenas anula o concorrente como fortalece uma possível candidatura ao governo de Minas do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), que trabalha para colocar mais um mineiro na Esplanada - políticos de Minas estão de olho no Ministério de Ciência e Tecnologia.
Mendes Ribeiro, em tratamento contra um câncer, volta para a Câmara dos Deputados. Inicialmente, havia possibilidade dele aceitar a Secretaria de Assuntos Estratégicos no lugar do ministro peemedebista Moreira Franco, que deve ser nomeado para a Secretaria de Aviação Civil. A SAE fica, por ora, sendo comandada pelo secretário executivo da pasta.
Moreira Franco é próximo do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha, articulador que convém ao governo manter sob como aliado absoluto. Com essa mudança, Wagner Bittencourt, considerado um nome técnico, deve deixar o primeiro escalão do governo.
Há ainda duas mudanças pendentes na reforma ministerial de Dilma: acomodar o PR e o PSD.
A recém-criada Secretaria de Micro e Pequenas Empresas deve ficar com PSD. O principal nome da legenda, Gilberto Kassab, não quer que o cargo seja entregue ao partido agora para evitar que a nomeação seja interpretada como parte das negociações eleitorais de Dilma.
Apesar de o ministro dos Transportes, Pedro Passos, ser filiado ao PR, a legenda o considera como cota pessoal de Dilma. O partido insiste em ampliar seu espaço na Esplanada.

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