Dilma 'bate o pé' em mínimo de R$ 540
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2010
Lu Aiko Otta<BR> Agência Estado 
Brasília - A presidente eleita, Dilma Rousseff, vai fincar pé na proposta de R$ 540 para o salário mínimo em 2011 Ela já foi sondada por integrantes da equipe de transição e não mostrou nenhuma inclinação a melhorar a oferta a ser apresentada às centrais sindicais, que defendem R$ 580
Por isso, nenhuma nova proposta foi apresentada pelo governo e as negociações estão num impasse Representantes das centrais sindicais aguardam a segunda rodada de negociações com o governo desde a semana passada A primeira conversa ocorreu no dia 18 e na ocasião ficou combinado que outra reunião seria realizada no dia 24 Ela não ocorreu, nem foi remarcada até ontem ''Vamos pressionar para ver se conseguimos esta semana'', disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos
Dilma não quer conceder aumentos generosos ao salário mínimo porque cada R$ 1 a mais representa R$ 286,4 milhões em despesas adicionais ao Ministério da Previdência Social E a prioridade do futuro governo são os investimentos em infraestrutura, saneamento e habitação Em nome de mais dinheiro para investir, Dilma até concordou em examinar um programa de desaceleração dos gastos correntes que, cinco anos atrás, ela havia chamado de ''rudimentar'' A negociação do mínimo é o primeiro teste para a equipe econômica da futura presidente, que prometeu austeridade nos gastos
Se quiser manter os R$ 540, ela corre o risco de ter de começar o governo com uma decisão impopular: vetar o valor maior que o Congresso provavelmente aprovará O presidente da Força Sindical e deputado pelo PDT paulista, Paulo Pereira da Silva, já avisou que ele e o senador Paulo Paim (PT-RS) apresentarão emendas à Medida Provisória do novo mínimo, elevando o piso para R$ 580 Se deputados e senadores aprovarem essa proposta, restará a Dilma concordar ou vetar
A tendência, hoje, é que ela vete um eventual aumento, segundo informou um interlocutor Nada impede, porém, que se repita a novela vista este ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçou vetar o reajuste de 7,7% aos aposentados que ganham mais do que o salário mínimo Depois de muito jogo de cena, o reajuste foi sancionado
O mínimo de R$ 540 garante aos trabalhadores a reposição da inflação de 2010, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) As centrais, porém, pressionam por um aumento maior
Em anos anteriores, o governo pagou o equivalente à inflação, acrescida do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás Por essa regra, o reajuste de 2011 seria apenas o da inflação, porque em 2009 o PIB encolheu 0,2% O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, já chamou de ''casuísmo'' o fato de as centrais brigarem por um reajuste maior no momento em que a regra tornou-se desfavorável


